quarta-feira, setembro 03, 2008

Um pouco mais de Jack Kerouac

Para quem leu "On the Road" e ficou com sede de Kerouac e da literatura beatnik, há um monte de títulos do gênero a caminho, pela editora L&PM.
As maiores novidades são "Beat Generation", peça escrita por Kerouac em 1957, inédita até 2005 e com lançamento brasileiro previsto para abril, e a biografia "Kerouac", de Yves Buin, que deve ser lançada em março.
Em novembro deve sair "The Town and the City", primeiro livro do autor. Em 2006 foi publicado "Diários de Kerouac, 1947-1954", anos que incluem o da redação de "On the Road" (1951).
Outros livros seus já saíram em português, como "Os Vagabundos Iluminados" e "O Livro dos Sonhos" este, um Kerouac para iniciados, dado o fluxo livre e ensandecido de consciência.
Outros beats ganharão títulos neste ano: Allen Ginsberg ("Cartas do Yage"), Lawrence Ferlinghetti ("Um Parque de Diversões na Cabeça") e Charles Bukowski ("Fabulário Geral do Delírio Cotidiano", entre três outros livros). De William Burroughs, em 2006, saiu "O Gato por Dentro".


Livro será longa e documentário de Walter Salles



Em apenas três semanas de 1951, Jack Kerouac escreveu cerca de 40 metros de texto. Mas sua empolgação não contaminou os editores, e "On the Road" foi recusado várias vezes antes de ser publicado, há 50 anos, em 1957.
De ônibus, carro e carona, o narrador Sal Paradise, personagem inspirado em Kerouac, faz seis travessias les Perrengues..
Invariavelmente, Sal Paradise parte para suas travessias com US$ 50. Como apenas um ônibus entre Denver e San Francisco custava US$ 25, seu dinheiro mingua no meio do caminho. Mas ser beat é deixar isso pra lá. No limite dos perrengues, Paradise trabalha como segurança e colhedor de algodão, rouba gasolina, come e se hospeda na casa alheia e pede dinheiro emprestado para sua tia de Nova Jersey.
Na vida real, Kerouac largou a universidade, foi adepto de jazz, drogas e promiscuidade e chegou a ser preso.
O autor, no entanto, é até convencional perto do co-protagonista Dean Moriarty -na verdade, Neal Cassady, um quase iletrado que pedia a Kerouac que o ensinasse a ser escritor e que se tornou seu companheiro de viagens.
Moriarty acumula vários roubos de carros, cinco anos de prisão e quatro filhos pequenos Estados Unidos afora. Abandona três mulheres apaixonadas por ele. E, se bem fiscalizado, não dirigiria 50 quilômetros sem ter a carteira de motorista cassada. Na vida real, seu currículo era parecido. Cassady chegou a ser menino de rua.

Jack Kerouac (1922-1969), um dos criadores do movimento beat, não tinha paciência para explicá-lo. Talvez porque as melhores explicações estivessem com seus personagens.
Em "On the Road", Sal Paradise, alter ego de Kerouac, diz: "Para mim, as únicas pessoas são as loucas, as que são loucas para viver, loucas para falar, loucas para serem salvas, que querem tudo ao mesmo tempo, aquelas que nunca bocejam nem dizem um lugar-comum".
O movimento surge como contracultura nos anos 50, de macartismo e de caretice nos EUA. Os beatniks buscavam uma maior exploração da consciência ("tour" muitas vezes animado por drogas) e desdenhavam do "american way of life". Marcam esse começo Allen Ginsberg e Bill Burroughs, além do próprio Kerouac.

Recém-publicado no Brasil, "Contracultura Através dos Tempos", de Ken Goffman e Dan Joy (Ediouro), fala do início beat. Em 1955, "com Kerouac gritando "VAI!" e membros da platéia chorando abertamente", Ginsberg leu o poema "Uivo", que falava em "solidão, sujeira/ saudade, latas de lixo e dólares inatingíveis/ crianças berrando debaixo das escadarias/ garotos soluçando nos exércitos/ velhos chorando nos parques".
Já "On the Road", para os autores, "era um livro fluvial, e os ritmos de linguagem, os brilhos de iluminação, os expressivos relances dos marginalizados dos Estados Unidos deram a seus gratos jovens leitores o equivalente literário da viagem que eles experimentavam com um solo de Charlie Parker."
Mas um dia Kerouac maldisse sua bíblia: virou conservador e anti-semita. Morreu aos 47 anos, por causa do álcool. Allen Ginsberg e Bill Burroughs (em "On the Road", Carlo Marx e "Old Bull" Lee) surpreenderam menos seus fãs: Ginsberg passou pelo budismo e pelo pacifismo, e Burroughs, pela esquerda revolucionária e pelo movimento punk. Os dois morreram em 1997.

.. Jack Kerouac influenciou Bob Dylan e outras pessoas, artistas ou não!

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‎"O que mata as pessoas é a ambição. E também esta tendência para a sociedade de consumo. Quando vejo publicidade na televisão, digo a mim mesmo: podem me apresentar isto anos a fio que nunca comprarei nada daquilo que mostram. Nunca desejei um belo automóvel. Nunca desejei outra coisa senão ser eu próprio. Posso caminhar na rua com as mãos nos bolsos e sinto-me um príncipe."
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