quarta-feira, outubro 08, 2008

DOSSIÊ CONSPIRAÇÃO


ESTE TRABALHO E UMA MERA COPIA DO ARTIGO PRODUZIDO PELO GRANDE BRASILEIRO Armindo Augusto de Abreu.
Veja os originais em pdf  www.armindoabreu.ecn.br


DOSSIÊ CONSPIRAÇÃO
Armindo Augusto de Abreu
RECADO1
"Informações reservadas aconselham cautela até o ano de 2002. Pelo menos.
Nascido em língua alemã, no século XVII, Gottfried Leibnitz demonstrou que tudo aquilo que existe, existe como conseqüência de alguma causa, não por leviandade. Bem antes disso, lá pelo século V a.C., nascido em Estagira, Aristóteles não demonstrou, mas sustentou que tudo que existe, existe dotado de alguma finalidade. Assim, por artes de Aristóteles e Leibnitz, estabeleceu-se que os acidentes de cada uma de nossas vidas não são acidentes coisa nenhuma: acontecem por alguma razão e visando objetivo preciso. De onde se segue que se inventou o conceito de paranóia para iludir pios, convencendo-os de que os males que porventura os assaltem devem ser creditados à má fortuna. Deslavada mentira. Tudo, rigorosamente tudo que interfere em nossas existências deve-se à iniciativa de alguém tendo em vista resultados muito claros. Na maioria das vezes, tais resultados são escusos. Fique tranqüilo, faz todo sentido viver assustado".

REVISITANDO A "PARANÓIA CONSPIRATÓRIA"
"Prepare o seu coração... pras coisas que eu vou contar".
"Disparada", GERALDO VANDRÉ
"Só porque você é paranóico não quer dizer que eles não estejam de fato,
lá fora, querendo pegar você".
                                                                                               DITADO AMERICANO 
  Definitivamente, CONSPIRAÇÃO é um vocábulo que desafia velhos tabus e preconceitos. Apesar da sinistra conotação que lhe tem sido dada, freqüenta, cada vez mais assiduamente, o quotidiano dos estudiosos das verdades históricas, obliteradas nas versões oficiais dos acontecimentos. Derivada do latim CONSPIRARE significa, literalmente, "respirar junto". Traduz o ato de planejar ou agir secretamente, em parceria, visando a alcançar objetivos predeterminados.
 A característica fundamental de que se reveste a atividade conspiratória é o SEGREDO e o combustível que lhe dá dinâmica é a busca permanente das INFORMAÇÕES privilegiadas ou estratégicas. Fruto dessa sofisticada extração, nos Estados Unidos e na Europa o estudo das teorias e possibilidades conspiratórias já se constitui em matéria apreciada, com a necessária seriedade, por jornalistas, pesquisadores, políticos e intelectuais respeitáveis. Isso, apesar do árduo combate e do epíteto de "paranóicos" que, monótona e invariavelmente, recebem dos círculos de proteção do poder. "Quando se cogita dos segredos mais profundos da nação, às vezes parece que existem poderes, até mesmo,

superiores aos do presidente dos Estados Unidos e do diretor da CIA".
Trabalhos publicados naquele país evidenciam que altos funcionários públicos, políticos, autores e pesquisadores não estão sozinhos em suas desconfianças envolvendo supostas atividades conspiratórias. O povo americano também está.
 Uma pesquisa conjunta, feita em 1997 pela "OHIO University" e pelo "Scripps-Howard News Service", resultou em surpreendentes conclusões: 51% dos  entrevistados acreditavam que agentes federais assassinaram o presidente John Kennedy; mais de um terço suspeitava que a marinha americana, propositalmente ou não, derrubara o avião da TWA que fazia o vôo 800; a maioria acreditava ser possível que a CIA tivesse, intencionalmente, permitido a traficantes vender cocaína a crianças negras, moradoras das grandes cidades; 60% achavam que o governo escondia informações sobre o "agente laranja" e as causa da "síndrome da guerra do golfo"; quase a metade suspeitava que agentes do FBI iniciaram o fogo que matou mais de uma centena de pessoas de uma seita religiosa, perto de Waco, Texas, em 1993. As reações da Casa Branca a essa pesquisa foram as usuais: à vista do resultado, Curtis Gans, diretor do "Washington Committee for the Study of the American Electorate" (Comissão de Washington para o Estudo do Eleitorado Americano), comentou: "A paranóia está matando este país..."
Mas, seria, mesmo, apenas paranóia, a crença generalizada de que certos grupos ou indivíduos, detentores de imensa riqueza e poder, geralmente desconhecidos do público, sejam os verdadeiros donos dos Estados Unidos e, em decorrência, do resto do mundo? Jonathan Vankin, jornalista e estudioso de conspirações que possam envolver o governo dos Estados Unidos, diz que "o poder é um fato concreto da vida  americana, mas a maioria dos americanos não participa dele. O segredo é a sua mola mestra. O governo parece distante, embora, de alguma forma, ainda possa estar no controle. Estamos, cada vez mais, isolados uns dos outros, mergulhados nas telas dos computadores e das televisões, prisioneiros dos vidros das janelas e dos pára-brisas. Há um frustrante sentimento de  desconexão na vida americana moderna. As teorias conspiratórias tentam juntar essas peças outra vez...". "Muitos dos eventos mundiais mais importantes, dentre os que modelam os nossos destinos, ocorrem porque alguém os planejou nesse sentido. Se nós estivéssemos, meramente, lidando com as leis da probabilidade, metade dos acontecimentos que afetam o bem estar da nossa nação seriam para o bem da América. Se nós estivéssemos lidando apenas com mera incompetência, nossos líderes deveriam, de vez em quando, cometer um erro a nosso favor... Não, nós não estamos lidando com coincidências ou estupidez, mas com planejamento e brilhantismo3...". "As elites, não as massas, governam a América. Numa era industrial, científica e nuclear, a vida numa democracia, da mesma forma como nas sociedades totalitárias, é moldada por um punhado de homens. A despeito das diferenças de abordagem com que estudam o poder na América, intelectuais, cientistas políticos e sociólogos concordam em que as decisões chaves de natureza política, econômica e social são tomadas por estreita minoria".4
Os fatos demonstram que a idéia de uma minoria rica, oligárquica, controlar e governar a América, apropriando-se da maior parte da riqueza ali produzida, não é, apenas, possível, mas absolutamente provável. Para os que insistem em imaginar que, somente no Brasil, ou em sociedades periféricas, a concentração da renda é brutal, convém lembrar que o grosso da riqueza americana, produzida por 265 milhões de habitantes, também está repousando em pouquíssimas mãos.
Um estudo conduzido pelo Federal Reserve Board, em 1983, revelou que apenas 2% da população (5,3 milhões) controlavam 54% da riqueza nacional e que apenas 10% (26,5 milhões) detinham 86% dos ativos financeiros líquidos. A maioria das famílias americanas, isto é, 55% da população (140 milhões), tinham patrimônio zero ou negativo! ! ! O ciclo dos ricos ficando mais ricos e dos pobres ficando mais pobres tem se acelerado desde a década de 60, tanto nas administrações democráticas quanto nas republicanas. 2 MARRS, Jim in "rule by SECRECY" New York, HarperCollins Pub. Inc. 2000.3 ALLEN, Gary, escritor, filósofo e intelectual conservador.4 DYE, Thomas R. e ZEIGLER, L. Harmon, in "The Irony of Democracy ."
Armindo Augusto de Abreu

Os números atuais são ainda mais drásticos: Segundo o U.S. Census Bureau (equivalente ao nosso IBGE.N.A.), entre 1992 e 1994 a riqueza dos 5% mais abastados cresceu 14%, quase o dobro do que ganharam todos os demais americanos nos últimos vinte e cinco anos! ! ! Segundo conceituados analistas, a alarmante concentração da renda no país mais rico do mundo não seria, apenas, mera decorrência da aplicação de políticas econômicas equivocadas, mas, na verdade, uma estratégia consciente, visando a acumular a riqueza em poucas mãos. Para que a economia estadunidense se mantenha em pleno funcionamento, é necessário que ela demande recursos planetários em proporções muito superiores ao que seria lícito corresponder à sua quota-parte populacional ou geográfica. A concentração das riquezas mundiais em poucas mãos, numa economia cada vez mais globalizada, fora do alcance do estado, entregue "ao mercado", na verdade estaria facilitando a manipulação dos ativos físicos e dos fluxos de produção e consumo, em favor de quem possui o dinheiro. E o dinheiro do mundo, como aos poucos vai sendo revelado, vem dos doze bancos centrais privados que integram o Federal Reserve System. Este poderoso cartel, que governa a economia americana e controla ou influencia a do restante do planeta, emite e regula a moeda, determinando o volume e a intensidade com que cada dólar vai adquirir ou fazer sangrar, via taxa de juros, a prosperidade ou a pobreza universais.

 Tão formidável mecanismo de acumulação, ao mesmo tempo genial e egocêntrico, faz da máquina econômica, gerencial e militar dos Estados Unidos o único poder inconteste do globo e o detentor da maioria das riquezas terrenas. Em conseqüência, é justo perguntar: -Quem controla os Estados Unidos e, a partir deles, a riqueza mundial?
Todos, sem exceção, acreditam ou pelo menos já se dispuseram a falar ou ouvir dizer, sem rodeios, que algumas poucas pessoas, efetivamente, detém a maior parte das riquezas transacionáveis, das reservas minerais, dos ativos financeiros. Que elas manipulam estoques, controlam preços, administram fartura ou escassez, repelem os chamados "custos sociais" e evitam pagar impostos. "Elas, também dominam o mais avançado conhecimento científico e tecnológico, constroem monopólios de energia, comunicações, armamentos, remédios.
Exercem total influência sobre as mídias, as maiores universidades, os partidos políticos e os governos, através do poder que acumulam ao controlar tanto corporações multinacionais quanto organizações privadas, como o "Council on Foreign Relations"(CFR), a "Comissão Trilateral", o "Royal Institute of International Affairs"(Grupo Chatam House),
5 os "Bilderberger", a "Sociedade Liberal de Mont-Pélérin", o "Diálogo Interamericano," o "Federal Reserve System"... "Elas", também pertencem a sociedades secretas como a dos "Illuminati"(Iluminados), os "Skull and Bones,"6 e aos círculos mais restritos da Livre Maçonaria.
 Mas, finalmente, quem são "Elas"??? "Trezentos homens, todos se conhecendo, dirigem os destinos econômicos da Europa e escolhem os sucessores entre si," garantia, em 1909, Walter Rathenau, o principal executivo da General Electric na Alemanha. Essa afirmativa histórica, com certeza, serviu de ponto de partida para obra recente, rapidamente esgotada, afirmar que um "Comitê de 300" controla um "governo paralelo, de alto nível, secreto, que dirige a Grã-Bretanha e os Estados Unidos".7 Felix Frankfurter, antigo juiz da Corte Suprema, advertiu seus pares de que "os reais governantes, em Washington, são invisíveis e exercem o poder por trás dos bastidores". Em carta datada de 23/11/1933, o recém eleito presidente Franklin Roosevelt, também tido como um "Iluminado", escrevia ao braço direito de Woodrow Wilson, Cel. Edward House, personalidade chave na criação da Liga das Nações, do Council on Foreign Relations(CFR) e do Federal Reserve(FED): "a pura verdade nesta matéria é, como você e eu sabemos, que o poder financeiro nos grandes centros tem tido a posse do governo desde os tempos de Andrew Jackson8. Registre-se que durante o governo de 5
MARRS, Jim in "rule by SECRECY".
6 "Caveira e Ossos", como o símbolo das antigas bandeiras dos piratas. Fraternidade Secreta que recruta seus membros mais jovens entre
alunos e ex-alunos da Universidade de Yale. N.A.
7 COLEMAN, John in "Conspirators Hierarchy : The Story of The Committee of 300", Carson City , America West Pub.1992.
8 Trata-se do sétimo presidente americano, que governou o país de 1829 a 1837. Está retratado nas notas de vinte dólares. N.A.

Armindo Augusto de Abreu

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Roosevelt, pela primeira vez na história, foi posta em circulação uma nota de dólar contendo impressa em seu verso a pirâmide e o olho maçônicos
9. Ratificando esta convicção familiar, o filho do presidente Roosevelt, Elliot, escreveu após a morte do pai: "Há em nosso mundo cerca de doze organizações que modelam as direções de nossos destinos, de forma tão rígida quanto os governos regularmente constituídos". Em 1922, o então prefeito de Nova York, John F.Hylan declarava que "a ameaça real à nossa República é o governo invisível que, como um polvo gigantesco, estende seus tentáculos afiados sobre a nossa cidade, nosso estado, nossa nação... Na cabeça desse polvo estão os interesses da Rockfeller-Standard Oil e os de uns poucos e poderosos bancos, geralmente referidos como banqueiros internacionais que, virtualmente, governam os Estados Unidos para satisfação de seus propósitos egoístas". Joseph P. Kennedy, patriarca da notável família, ex-embaixador dos Estados Unidos na Inglaterra, certa feita causou perplexidade pública ao afirmar que "cinqüenta homens governam a América e este é um número alto". Respondendo à pergunta "quem governa este país"?, em palestras formuladas para estudantes secundários, os escritores e autores do popular "Peoples Almanac", Irving Wallace e David Wallechinsky, listaram: o presidente, as duas casas legislativas e os nove membros da Suprema Corte. Mencionaram, também, os governos estaduais e municipais, ressalvando, entretanto, que muitas de suas leis podem ser invalidadas pelo governo federal, o que os remete a um círculo de menor poder e influência. Entretanto, na mesma publicação, esses autores responderam, de outra forma, à pergunta: "Mas quem governa REALMENTE os Estados Unidos??? -"Há muitas forças trabalhando na sociedade dos Estados Unidos, mas a mais poderosa é a resultante da ação dos grandes bancos, das corporações e das companhias de seguros, com o respaldo de líderes militares". Ou seja, a resposta é, em essência, a mesma que ficou consagrada na indelével expressão cunhada pelo ex-presidente Dwight Eisenhower: o "complexo militar-industrial"... Confrontado com a questão –"Quem, realmente, governa o planeta, pela "Revue Internationale et Stratégique", o atual ministro do Exterior da França, Hubert Védrine, colocou à frente do presidente dos Estados Unidos os presidentes de certas corporações, financistas, agências de classificação de riscos, jornalistas, cineastas, pesquisadores, lobbies e, até mesmo, os fundos de pensão americanos. Mas, antes de se tentar identificar essas pessoas, é imprescindível investigar como seria feita, na prática, a integração dos seus esforços em torno de objetivos comuns. A única solução plausível para esta questão, dentre as muitas possibilidades pesquisadas pelos especialistas, seria a existência de uma teia invisível de solidariedade, apoios e dedicações, concedidas ou adquiridas a qualquer preço. E essa rede, tecida com fios da mais estrita lealdade, à sombra do anonimato e da dissimulação, seria obra de "Sociedades Secretas", algumas antiqüíssimas, outras contemporâneas, e de seus membros, investidos de enorme influência, comandando poderosas instituições ou no exercício de funções chaves. Elas não só existem, como desempenharam e continuam desempenhando importantíssimo papel nos principais eventos domésticos ou internacionais, do passado e do presente. Por isso, é interessante que se aprecie, no panorama recente, fatos envolvendo o mais elevado círculo do poder nos Estados Unidos: os presidentes americanos, seus principais assessores e os grandes empresários, com essas misteriosas sociedades. Diz-se, de forma bemhumorada, que as melhores imagens trazidas à mente das pessoas quando se menciona o nome de Bill Clinton, é o de um político sorridente e jovial, saxofonista episódico, com um especialíssimo interesse pelas moças muito bonitas e, às vezes também, por outras nem tanto. O que as pessoas geralmente desconhecem é que Clinton está ligado a três das mais importantes sociedades secretas contemporâneas: o Council on Foreign Relations (CFR), a Comissão Trilateral e o Grupo Bilderberger. Essas organizações, como seria natural esperar-se, são muito restritas como fontes de informações.
A Trilateral costuma publicar os nomes de seus membros e certos documentos contendo diretrizes de atuação, mas sua agenda interna permanece confidencial. O CFR também publica o rol dos associados, porém exige deles segredo total quanto aos objetivos e às operações. Já os Bilderberger mantêm sua agenda e seu corpo de associados em sigilo total. Membros destacados da administração Clinton pertenceram aos quadros do CFR. Compreenderam, entre muitos outros, além do próprio presidente, o vice presidente Al Gore, o Secretário de Defesa William Cohen, Warren Christopher, James Woolsey, Lloyd Bentsey, Laura Tyson e o Gen. Colin Powell. Do mesmo governo Clinton, pertencem à Comissão Trilateral, William Cohen, Alan Greenspan e Donna Shalala, entre outros menos conhecidos no Brasil. Em 1991, quando governador de Arkansas, Bill Clinton foi convidado a se filiar aos Bilderberger. No ano seguinte, foi eleito presidente dos Estados Unidos. Ele nunca mencionou, em público, seus encontros com os Bilderberger, mas, segundo o tablóide "The Spotlight", de Washington, que perseguiu reuniões do grupo durante anos, Hillary passou a freqüentá-las em 1997, sendo a primeira mulher de um presidente americano a fazê-lo. A partir daí, começaram rumores a respeito de uma provável, e importante, futura carreira política para ela. Mas, que ligações possuía Clinton antes de se tornar governador de estado e presidente da república?
Ao morrer, John Davison Rockefeller Jr., herdeiro do magnata da indústria petrolífera, deixara uma imensa fortuna, influência política, diversas instituições de poder, prestígio e cinco filhos homens para administrá-los: John III, Nelson, Laurance, Winthrop e David. A única filha, Abby, morrera de câncer. Winthrop tinha sido aluno de Yale, uma das universidades financiadas pelo fundo Irmãos Rockefeller, presidido por John III, e que abriga a enigmática sociedade "Skull & Bones"
10, famosa por recrutar membros para futuro exercício de cargos elevados de poder. Não obstante, Winthrop era considerado a "rês tresmalhada" da família. Após abandonar essa faculdade, em 1934, trabalhou como peão em poços de petróleo, no Texas. Na II Grande Guerra lutou no Pacífico, como soldado de infantaria, regressando a casa, ao seu final, com três importantes condecorações. Dali em diante, dedicou-se a uma vida desregrada de "playboy", entregando-se à bebida, às mulheres e ao "café society". Em 1953, cansado daquela rotina, mudou-se para o estado de Arkansas, onde, em 1956, recebeu o título de "Homem do Ano de Arkansas". Em 1967, desfrutando de grande prestígio, elegeu-se governador. No exercício da função, conheceu um jovem promissor, de temperamento semelhante ao seu, rebelde e boêmio, chamado Bill Clinton.

Começava, aí, com a simpatia e a proteção dos Rockefeller, sua rápida ascensão ao poder... No outono de 1998, quando ameaçado de impeachment, Clinton correu a Nova York para pedir proteção aos seus colegas do CFR. "Bill Clinton sabe muito bem que é presidente porque os membros da sociedade secreta a que pertence o escolheram e esperam que ele realize seus planos".
11
O ex -presidente George Bush foi membro do CFR, da Comissão Trilateral e
destacado irmão da "Skull and Bones". Seu filho, o atual presidente, também estudou em Yale
e em Harvard, sendo membro da mesma sociedade. Jimmy Carter, antigo assessor de Zbigniew
Brzezinski no CFR e por ele recrutado, teve em seu governo uma plêiade de membros daquela
organização, inclusive de seu antigo chefe, que lhe serviu como assessor para assuntos de
Segurança Nacional. Apesar de democrata, seu secretariado (ministério) abrigou, também,
trilateralistas do partido republicano, como Henry Kissinger (Estado, membro do CFR e
protegido dos Rockefeller), William Coleman (Transportes), Carla Hills (Habitação), Peter
Peterson (Comércio; posteriormente veio a ser presidente do CFR) e Casper Wainberger
(Saúde, Educação e Trabalho)
12. Também assinaram ponto no governo Carter, o ex-diretor da
CIA e futuro presidente George Bush, e William Cohen, secretário da Defesa de Clinton e membro do CFR. Gerald Ford, o vice-presidente de Richard Nixon, era membro ativo da Maçonaria, do CFR e dos Bilderberger. Quando Nixon renunciou, Ford assumiu a presidência e "escolheu" como novo vice-presidente dos Estados Unidos Nelson Rockefeller, patrono do CFR, membro da Trilateral, dos Bilderberger, etc, pois o Sistema não deve correr riscos...Aliás,
10 Recomenda-se assistir ao filme "A SOCIEDADE SECRETA" (The Skull), de 2001, já exibido no Brasil, que retrata magistralmente os

bastidores dessa sociedade. N.A.

11 McManus, John, editor, in "rule by SECRECY", HarperCollins Pub. New York. 2000.

12 U.S.News & World Report, 1978.

Armindo Augusto de Abreu


cabe lembrar que Gerald Ford, antes disso, fora membro da famosa Comissão Warren, que
investigou o atentado contra John Kennedy, concluindo que a morte do ex-presidente fora obra
de um louco homicida e não de uma conspiração, como até hoje se discute. O governo de
Ronald Reagan não foi diferente. O ex-ator e antigo porta-voz da General Electric, embora não
fosse apontado como membro dessas três instituições ou, até mesmo, simpático a elas, após
uma série de acontecimentos políticos estranhíssimos
13, indicou George Bush à vicepresidência
e, depois de eleito, nomeou vários de seus integrantes para cargos de primeiro
escalão, sendo vinte e oito membros do CFR, dez dos Bilderberger e, pelo menos, dez
trilateralistas. Esse grupo compreendia o secretário de estado Alexander Haig, o secretário da
defesa Casper Wainberger, o secretário do tesouro Donald Regan, todos do CFR, e Alan
Greenspan, o todo poderoso presidente do Federal Reserve, membro do CFR, Bilderberger e
Trilateral! ! !

"AS MODERNAS SOCIEDADES SECRETAS E SUAS AGENDAS
DE DOMINAÇÃO GLOBAL".

..."É muito difícil reeducar pessoas criadas sob a idéia do nacionalismo e levá-las
a abandonar parte dele em favor de um governo supranacional".

PRÍNCIPE BERNHARD, da Holanda, quando presidente do Comitê Bilderberger

Registros históricos evidenciam que, a partir do século XVIII, o mais poderoso grupo de interesses do planeta decidira ampliar e fixar seus negócios, definitivamente, no Novo Mundo. Essa decisão estratégica resultaria no surgimento de uma coligação oligárquica européia/americana, pacientemente construída a partir do processo da independência dos Estados Unidos.
 Ela consolidava, também, um fantástico sincretismo de capitais, milenarmente constituídos em todo o mundo e concentrados na Europa, com a riqueza recente do Novo Mundo, acumulada com as descoberta das novas colônias ultramarinas, e agora perceptível diante do poder emergente da América.
Esses grupos tinham por sede, desde o século XVII, a Grã-Bretanha e representavam interesses de natureza essencialmente econômico-financeira, ligados à rede bancária, ao comércio e à indústria. Seus integrantes proviriam de diversas nacionalidades, etnias, credos políticos, filosóficos e religiosos.
Nenhuma dessas características, ao que se conhece, prevaleceu necessariamente
nesse arranjo de poder, que se revela supranacional, apátrida, sem preferências religiosas, de caráter absolutamente materialista. Sendo sua única motivação ostensiva, portanto, a mais ilimitada ambição, o objetivo da coligação conspiratória seria alcançar a máxima concentração de poderes políticos e econômicos, o pleno controle da riqueza física ou virtual, o domínio da ciência e dos processos de alta tecnologia, tudo pela via pacífica do convencimento e do
mercado, sem contestações ideológicas e resistências armadas, civis ou militares.
 
Sutilmente caracterizado como uma "Nova Ordem Mundial", sempre apresentado como evolução atual, modernidade, em diversas épocas da história, o conjunto organizado, sincronizado, de ações dessa elite almejaria, em última instância, a reorganização consentida da humanidade. No plano político, resultaria em governo mundial único, instituído em torno de princípios comuns. Os mais relevantes desses postulados seriam: a supressão de todas as forças armadas, substituídas por um contingente policial supranacional com a bandeira da ONU ou da OTAN, capaz de impor a paz e a ordem em qualquer parte do globo, com o respaldo de uma corte de justiça universal; a instituição de moeda única, física e eletrônica, emitida e controlada por um ou mais bancos centrais privados e independentes de qualquer governo nacional; o
afastamento da civilização ocidental dos seus antigos valores morais, éticos e religiosos, de tradição judaico-cristã, submetendo-a, tão somente, ao domínio de uma "nova ética" materialista, com base exclusiva na razão, no conhecimento científico e no direito positivo; o fim dos estados nacionais, com a abolição de fronteiras fixas e do conceito de soberania.

Como visto, para que um processo de tamanha ambição e alcance pudesse prosperar na prática, seria necessária a existência de uma poderosa e atuante rede de instituições e lealdades, mantidas sob pesado véu de discrição e sigilo.
Essa antiga urdidura, que esteve presente e influenciou fatos primordiais da história, como as revoluções americana, francesa e russa, e erodiu o poder das monarquias cristãs formadas a partir da Idade Média, começou a ser tecida, em sua fase mais contemporânea, no governo do Pres. Woodrow Wilson, com a criação de três instituições chaves, que asseguraram a perfeita consolidação do sistema secreto de poder: A "Liga das Nações", o "Federal Reserve System", e o "Council on Foreign Relations" (CFR). "Este último, influencia o governo dos Estados Unidos, fornecendo-lhe quadros de estrita confiança e sugerindo os passos de sua política externa e as de seus aliados.
Segundo respeitáveis opiniões,.."o
CFR é o verdadeiro governo dos Estados Unidos..."14 
mantendo laços estreitos com organizações semelhantes e associadas, nos principais países, inclusive no Brasil. Registros históricos evidenciam que o marco de criação da..." mãe de todas as organizações secretas contemporâneas...", o CFR, foi o final da I Grande Guerra.
Contados os mortos, pensadas as feridas dos sobreviventes e avaliados os prejuízos, líderes mundiais se reuniram na Conferência de Paris, em 1919, para deliberar sobre o traumático pós-guerra. A intenção declarada seria deflagrar providências e criar mecanismos no sentido de eliminar e impedir futuras divergências entre os países.
 Um governo global unificado seria a solução alvitrada.
A delegação americana compreendia, entre outros, o presidente Woodrow Wilson, seu assessor e braço direito, Cel. Edward Mandell House, os banqueiros Paul Warburg e Bernard Baruch, financiadores de sua campanha, e uma dúzia de líderes proeminentes, pertencentes a um grupo que se auto intitulava "The Inquiry"(os inquiridores).
Essa estranha fraternidade, de filosofia globalista, defendia um acordo de paz que garantisse a
remoção de todas as barreiras econômicas, igualdade nas condições de comércio e a criação
de uma "associação geral de nações". Desse pleito, nasceria o projeto de criação da "Liga das
Nações", por Wilson, em projeto elaborado e defendido pelo Cel. House. Curiosamente,
fundamentos de uma outra plataforma, implementada por Wilson, apareciam num livro de
ficção escrito, pouco antes, por Edward House, denominado "Philip Dru: Administrator -A
Story of Tomorrow". Nesse livro, o socialista marxista House descrevia uma conspiração (sic)
ocorrida nos Estados Unidos, visando à criação de um banco central privado, um imposto de
renda gradual e o controle dos partidos republicano e democrata. Um par de anos após a
publicação do livro, pelo menos dois desses objetivos, senão os três, tinham sido
conquistados. No dia 30 de maio de 1919, House reuniu-se com os membros americanos e
britânicos à Conferência de Paz, em Paris, no Hotel Majestic, quando resolveram formar um
Instituto de Assuntos Internacionais, visando preparar a opinião pública para a aceitação de
um "governo mundial único", ou a "globalização", tendo uma sede nos Estados Unidos e
outra na Inglaterra. A sede americana foi incorporada em 21 de julho de 1921, com o nome de Council on Foreign Relations (CFR). A sede britânica tornou-se o "Royal Institute of
International Affairs". O CFR nasceu sob o signo do mais absoluto sigilo. No artigo II de seus estatutos, reza que "qualquer membro que venha a revelar detalhes de suas reuniões, contrariando as regras estabelecidas pelo CFR, será passível de expulsão"
. Essa aura de sigilo tem sido mantida e respeitada pela grande mídia americana. Em 1971, o jornalista J. Antony Lucas escrevia que... "analistas da imprensa soviética afirmam ser o CFR mais noticiado no

.14 ROBERTSON, Pat, in "The New World Order".

Armindo Augusto de Abreu

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Pravda e no Izveztia do que no New York Times." De forma coerente com os planos de
instruir e governar todas as fases da política externa americana, foram membros do Council
on Foreign Relations QUASE TODOS os diretores da CIA desde Allen Dulles, TODOS os
Secretários de Estado, menos um
15, desde 1940 e TODOS os Secretários da Guerra/Defesa,
sem exceção. Esta assertiva abrange o governo George W. Bush, em curso. A face do CFR
começou a ser revelada, para o público americano, a partir dos anos 70, com o surgimento das
novas tecnologias de comunicação. Num esforço aparentemente destinado a desviar essas
atenções, David Rockefeller, então seu presidente, envidou esforços para criar uma
organização mais visível, que pudesse servir de "biombo" para as atividades do Conselho: a
Comissão Trilateral. A idéia de criar a Trilateral lhe fora ofertada por Zibigniew Brzezinski,
chefe do Departamento de Estudos sobre a Rússia, da Universidade de Columbia (New York),
e autor de inúmeros documentos e livros que tinham servido de linhas mestras para o
estabelecimento de diretrizes de políticas e estratégias pelo CFR. Ele pesquisara,
anteriormente, uma forma de "cooperação mais próxima" entre as nações da Europa, da
América do Norte e da Ásia, assim defendida: "Uma nova e mais ampla aproximação é
necessária: a criação de uma comunidade de nações desenvolvidas que possa, efetivamente, se
dedicar às maiores preocupações relativas à humanidade... Uma Comissão representando os
Estados Unidos, a Europa Ocidental e o Japão, com reuniões periódicas de seus chefes de
estado, bem como uma pequena infra-estrutura de apoio, seria um bom começo
".16
Eletambém vislumbrava uma sociedade "... que fosse moldada cultural, psicológica, social e
economicamente pelo impacto da tecnologia e da eletrônica, particularmente na área dos
computadores e das comunicações..." Os pensamentos de Brzezinski começaram a suscitar
suspeitas entre todos aqueles que já se opunham à consolidação de um poder político e
econômico unificado, ao declarar: "... a soberania nacional não é mais um conceito viável..." e
prever que "... as nações desenvolvidas mover-se-iam na formação de uma comunidade mais
ampla... através de uma série de laços indiretos e de limitações, já iniciadas, nas suas
soberanias nacionais,... e com um sistema de coleta global de impostos". Explicando que um
organismo de cooperação, como a Trilateral, deveria preparar o palco para a conformação
desse cenário, entendia que "... o objetivo inicial de formar uma grande comunidade de
nações, embora menos ambicioso do que formar um governo mundial, seria mais factível".

Em sua concepção geopolítica, Brzezinski não pretendia deixar de fora dessa sociedade global
nem mesmo as nações submetidas ao marxismo, que ele considerava... "um estágio posterior
de maturidade da visão universal do homem, vital e criativo," e "uma vitória do homem
exterior sobre o homem interior, passivo, uma vitória da razão sobre a fé." A Comissão
Trilateral de Brzezinski foi fundada, oficialmente, em 1 de julho de 1973, tendo David
Rockefeller como presidente, mas os planos de sua criação e funcionamento foram
apresentados, em primeiríssima mão, aos membros do ultra-secreto grupo dos Bilderberger,
em abril de 1972, na pequenina cidade belga de Knokke-Heist. Ali, a reação ao projeto foi
entusiástica. A grande preocupação do fechado grupo, nesse dia, era quanto às vigorosas,
porém esperadas, reações da comunidade internacional, especialmente da Europa e do Japão,
à devastadora desvalorização do dólar, representada pelo rompimento do pacto de Bretton
Woods, por Nixon, desvinculando a moeda americana do padrão-ouro. Mas, havia, ainda,
outras razões de inquietação entre os presentes àquela fechadíssima reunião: eram as novas
sobretaxas aplicáveis às importações americanas, visando à redução do seu déficit externo; a
política de "détente" iniciada com a China, de olhos no seu potencial de comércio; e o
gradativo, porém brutal, aumento de preços do petróleo. Os países produtores tinham reagido,
de pronto, à astronômica depreciação do dólar, que elevara o preço do ouro às nuvens (passou

15 N.A. A exceção a esta regra foi o ex-Gov.James Byrnes, da Carolina do Sul. A lista completa desses secretários pode ser encontrada em Robertson, Pat, in "The New World Order," pág 98.
16 In "Foreign Affairs" (órgão de divulgação oficial do CFR), 1970.

Armindo Augusto de Abreu

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de US$ 800,00/onça), reajustando, também eles, sua valiosa e finita matéria-prima, conhecida
no jargão do mercado como "ouro negro". Afinal, os petrodólares não poderiam mais ser
convertidos no metal amarelo, ao preço de US$ 35,00 a onça, conforme estipulara o acordo de
Bretton Woods, desde o pós-guerra. Para os países produtores, vender petróleo, dali em
diante, em troca de uma moeda agora inconversível e desvalorizada, representaria, como num
passe de mágica, transformar sua poupança monetária (os petrodólares) em areia e reduzir,
pesadamente, o valor econômico de suas reservas de óleo, dos contratos de fornecimento de
longo prazo, de sua receita bruta e dos estoques formados. Essa foi, na verdade, a causa real
dos chamados "choques do petróleo" que se seguiram, em 1973 e 1979. Não obstante, esse
gravíssimo fato foi transmitido ao grande público, pela "mass media" , como atitude
"gananciosa e monopolista" do cartel de países produtores, decididos a "levar à bancarrota" a
economia ocidental... 
Todas essas questões, que estavam amargurando os aliados dos americanos, causavam deterioração nas relações externas dos Estados Unidos, especialmente com o Japão. Ele era o principal prejudicado, face à sua total dependência de combustíveis fósseis e das exportações maciças de produtos de alta tecnologia para os Estados Unidos.
A reunião entre os Bilderberger, entretanto, tinha lhes dado mostras de que houvera certa
precipitação em se deflagrar, quase simultaneamente, medidas tão duras e explícitas visando a
resultados financeiros convergentes, concentradores. Era imprescindível, portanto, abrandálas
e, por isso, a proposta de Brzezinski, sugerindo um estágio intermediário, tripartícipe, na
unificação desse poder, com especial destaque para o Japão, na liderança do que viria a ser
um futuro bloco asiático, foi aclamada, unanimemente.
A Trilateral estava informalmente criada e liberada para iniciar seus trabalhos, o que ocorreu, apenas três meses depois, numa propriedade particular da família Rockefeller, em Pocantico Hills, Tarritown, estado de New York, nos dias 23 e 24 de julho de 1972. Participaram desse primeiro encontro diversas personalidades, ao que tudo indica selecionadas apenas por Rockefeller e Brzezinski. Somente um ano depois ocorreria a cerimônia oficial. David Rockefeller, então, nomeou Brzezinski fundador e diretor do ramo norte-americano da Comissão, que abrigava, ainda, o governador Jimmy Carter, o congressista John B. Anderson (outro candidato presidencial) e Hedley Donovan (editor-chefe do grupo Time, Inc.). Entre os demais fundadores estavam Reginald Maulding, Lord Eric Roll, Alistair Burnet (editor do Economist), Giovanni Agnelli
(presidente da FIAT), Raymond Barre (França) e um grupo de representantes da elite
japonesa, à frente Sujiro Fujino (Mitsubishi). Segundo a revista "TRIALOGUE", publicação
oficial, espécie de relatório anual da Comissão Trilateral, "ela foi fundada em 1973 por
cidadãos particulares da Europa Ocidental, Japão e América do Norte, para promover uma
cooperação mais próxima, entre as três regiões, a respeito de seus problemas comuns".
Autores mais cépticos, entretanto, interpretam a expressão "cooperação próxima" como um
"conluio entre banqueiros e corporações multinacionais, de olho no governo mundial
único".
17 A Comissão mantém, hoje, sedes em New York, Paris e Tóquio, sendo seus

principais financiadores os Fundos Irmãos Rockefeller, German Marshall e Lilly Endowment,

bem como empresas do porte do The Time, Bechtel, Exxon, General Motors, Wells Fargo e

Texas Instruments". "Muitos dos membros da Comissão Trilateral estão hoje em posições de

poder, de onde podem implementar políticas recomendadas pela Comissão; medidas que eles

mesmos prepararam como membros da Trilateral. É por esta razão que ela adquiriu a

reputação de ser o governo oculto do ocidente".
18
"Os tentáculos da Comissão Trilateral
foram tão longe na esfera política e econômica que ela tem sido descrita, por muitos, como
prova cabal de que homens poderosos podem controlar o mundo, através da criação de uma
comunidade supranacional, dominada pelas corporações multinacionais
". 19
17 MARRS, Jim, ibidem.
18 ERINGER, Robert, jornalista e pesquisador.
19 STRAND, Laurie K. in "Who is in charge-Six Possible Contenders", for Peoples Almanac#3.

Armindo Augusto de Abreu

10

 No princípio de 1977, até mesmo o jornal conservador "Washington Post, "sustentáculo do "establishment,"comentava em editorial que...
"há alguma coisa preocupante sobre a Comissão Trilateral. O presidente eleito (Carter) é um membro. O vice-presidente Walter Mondale, também, da mesma forma que os novos Secretários de Estado, Defesa e Tesouro, Cyrus Vance, Harold Brown e Michael Blumental. Brzezinski, um antigo diretor da Trilateral e assessor de segurança nacional de Carter, também é, assim como um grupo de outros que farão a política externa da América nos próximos quatro anos ". Entre esse "grupo de outros", releva destacar
o nome de Paul Volker, indicado para presidir o Federal Reserve. Conhecido na praça como
pessoa "ligada a David Rockefeller", Volker tinha sido presidente do ramo norte-americano
da Trilateral e era membro das organizações secretas CFR e Bilderberger. A despeito de todas
essas credenciais, acabou sendo apeado, durante o governo Reagan, do cargo de presidente do
FED, substituído pelo atual, Alan Greespan, coincidentemente, como visto, membro da
Comissão Trilateral, do CFR e dos Bilderberger...
20
A despeito de declarações públicas, nas

quais nega ser uma entidade secreta, a Comissão Trilateral não pode deixar de ser incluída

nesse rol, uma vez que suas reuniões são sempre fechadas, com acesso negado ao público. "A

mais nova cabala internacional de David Rockefeller
21 (a Trilateral)... planeja ser o veículo

para a consolidação multinacional dos interesses comerciais e bancários, pela tomada do

controle político dos Estados Unidos".
22 "Ela consiste num grupo, cujo objetivo é acelerar a
era do Governo Mundial e promover uma economia global controlada, atrás dos bastidores,
pela Irmandade Secreta (os Iluminados)."
23 Há quem garanta que esses Iluminados,
invariavelmente abrigados na penumbra, costumam se materializar nas reuniões dos
Bilderberger. Esta revelação nos remete a uma outra questão crucial: -quem são os
Bilderberger? ? ?
O modo mais prosaico de se defini-los é como um grupo de poderosos,
homens e mulheres, muitos pertencentes à realeza européia, que se encontram secretamente,
todos os anos, para discutir assuntos de seu interesse. Pesquisadores afirmam que eles
conspiram para "fabricar" e "administrar" acontecimentos de âmbito mundial. Apesar da
presença de figuras exponenciais da mídia em suas reuniões, nada, ou quase nada, transpira ou
é noticiado. Eles, também, costumam ser filiados às demais sociedades secretas. O grupo,
pelas características de sigilo absoluto, não possui sequer um nome oficial. A designação atual
foi outorgada por pesquisadores, quando vazou para o público, pela primeira vez na história, a
notícia de uma reunião feita, em 1954, no Hotel Bilderberger, em Oosterbeek, Holanda. Após
uma série de encontros informais, realizados na Europa, entre membros da realeza e
importantes nomes de suas mais altas elites, foi decidida, em 1950, a criação desse comitê
altamente secreto. A sessão inaugural teve a presença de vários ministros das relações
exteriores europeus, o príncipe Bernhard da Holanda e o socialista polonês Joseph Retinger,
fundador do movimento europeu após a II Guerra Mundial. Já o primeiro encontro do grupo
em solo americano foi feito em 1957, na ilha de Saint Simons, próximo à paradisíaca ilha de
Jekill (em frente ao estado da Georgia), onde, em 1910, outros conspiradores se reuniram para
planejar a criação do FED. Nas suas reuniões tem sido registrada, quase sempre, a presença de
membros das famílias reais britânica, sueca, holandesa e espanhola. O príncipe Bernhard foi o
"chairman" do grupo até 1976, quando renunciou devido às denúncias de que recebera uma
grande importância da Lockheed, para promover vendas de aviões. A partir de 1991, a
presidência tem sido ocupada por Lord Carrington, ex-ministro, ex-Secretário Geral da OTAN
e presidente do Royal Institute of International Affairs, organização gêmea do CFR. Outros
membros, não menos ilustres, foram ou são Brzezinski, Dean Rusky, Robert McNamara, Gen.

20 MARRS, Jim in "rule by SECRECY"
21 N.A. A família Rockefeller é cristã, do ramo batista. Por isso, a palavra cabala, de origem hebraica, empregada em relação a David Rockefeller, na frase original de Goldwater traduzida do inglês, não possui qualquer conotação de etnia, crença ou religião, significando,apenas, no texto transcrito, uma trama secreta, conspiração."
22 GOLDWATER, Barry in "With no apologies", 1979.
23 MARRS, Texe, presidente da editora Living Truth, Austin, Texas.

Armindo Augusto de Abreu

11

Lyman Leminitzer, todos também do CFR, e Henry Ford II, Giscard d´Estaing, George
Pompidou, Helmut Schmit, Margaret Thatcher e o barão francês Edmond de Rothschild.
Segundo o autor e analista de inteligência, Dr. John Coleman, "... A Conferência de
Bilderberger é uma criação do M16 (o serviço secreto britânico), sob a direção do Royal
Institute of International Affairs..." Mas, e do Royal Institute (RII), o que dizem as más
línguas? ? ? ..."Da mesma forma que o CFR, o RII foi criado sob auspícios do Cel House,
braço direito de Woodrow Wilson, do seu grupo de internacionalistas conhecido como "The
Inquiry" (os Inquiridores) e dos banqueiros Warburg e Baruch. O RII, entretanto, foi montado
a partir de uma outra sociedade secreta já existente, o Round Table Groups (Grupos da Távola
Redonda) estabelecida em 1910 pelo legado de Cecil Rhodes, o magnata inglês dos
diamantes."
24 "O Royal Institute foi criado em 1919 para perpetuar o poder britânico no

mundo e ajudou a criar o Council on Foreign Relations como parte de um esforço para unir as

elites inglesas e seus interesses de política externa, com os dos Estados Unidos."
25O RII fica

na conhecida Chatam House (Mansão Chatam), situada em Londres, na praça de Saint James,

em frente à residência da multimilionária família Astor.
26
Costuma-se dizer, mundo afora,
talvez sem muita atenção para a conexão implícita, que a política externa inglesa é emanada
da Chatam House... Além de sua atuação direta na área de política externa, o RII atua na
esfera da preparação de quadros para o futuro, especialmente na concessão de bolsas
universitárias a pessoas de alto potencial, segundo critérios próprios. "As bolsas Rhodes
(Clinton foi bolsista)... são conhecidas de todos. O que não é tão abertamente divulgado é o
fato de que Rhodes, em cinco testamentos, deixou sua fortuna para formar uma sociedade
secreta que deveria dedicar-se à preservação e à expansão do império britânico
.
E, o que parece ser também desconhecido de todos, é que essa sociedade secreta continua a existir até os dias de hoje".
27 Como se depreende, a inegável conexão entre alguns dos mais importantes líderes americanos e essas organizações já não podem mais ser ignoradas. Muito embora o conceito de se criar uma comunidade global de nações venha de muitos séculos passados, foi com o surgimento dessas modernas so ciedades secretas que ele adquiriu a dimensão e a materialização contemporâneas. Apesar da importante presença da família Rockefeller no
CFR e também na coordenação das demais organizações secretas mencionadas, é preciso ficar
claro que outras importantes forças políticas e financeiras, apesar de poderosíssimas, existem
e se mantém ao abrigo da luz, nesse contexto. É chegado o momento de se lhes lançar algum
ar fresco. O grande patriarca da família Rockefeller foi John Davison, considerado como o
milionário mais conhecido da história americana até os dias de hoje, muito embora tenha
morrido em 1937. Nenhuma outra família teve mais notoriedade do que ela, não só pela
imensa fortuna acumulada, como pelos laços poderosos que a ligava às elites européias,
especialmente as inglesas. Esses laços, ao que parece, não eram somente de amizade. O pai de
John D., William, era conhecido como "Big Bill" e viveu da venda de frascos de uma poção,
supostamente destinada à cura do câncer, num carroção que ele mesmo guiava em suas
andanças pelo país, ao melhor estilo dos filmes de faroeste. No começo da guerra civil
americana, John D. era um jovem corretor de commodities agrícolas em Cleveland, no estado
de Ohio. Nessa atividade, percebeu que o futuro estaria, não na agricultura, mas no petróleo.
Em 1863, ele e alguns sócios construíram uma refinaria. Em 1870, já havia criado a Standard
Oil Company of Ohio. O dinheiro para toda essa empreitada, garantindo-lhe a formação do
monopólio de refino, veio do National City Bank of Cleveland, cidade onde John D. residia.

24 MARRS, Jim, ibidem.
25 GIBSON, Donald. Escritor.
26 O patriarca da família, Jacob Astor, morreu no naufrágio do Titanic. Aliás, faleceram também nessa tragédia outros potentados, associados ao grande círculo secreto de poder, que celebravam, nessa viagem, seu sucesso e as conquistas políticas, financeiras e tecnológicas até ali alcançadas. Desafortunadamente, a celebração terminou em desgraça, razão pela qual, mesmo sem revelação explícita ao público, esse
naufrágio pertence ao rol das fatalidades inesquecíveis pelos poderosos. N.A.
27 QUIGLEY, Caroll. Historiador e professor de história na Escola de Relações Exteriores da Universidade de Georgetown, mentor
acadêmico de Bill Clinton.

Armindo Augusto de Abreu

12

Isso seria absolutamente normal, não fora um pequeno detalhe: o National City Bank de
Cleveland pertencia à família européia dos barões Rothschild, a mais rica e poderosa em todo
o planeta... Rockefeller não gostava de competidores. Seu objetivo era absorver todo o
mercado, formando um monopólio privado. Sob o lema "a competição é um pecado", John D.
investia contra os adversários, comprando ou absorvendo seus negócios. Quando não
conseguia fazê-lo, reduzia seus preços até que o competidor quebrasse. Em 1902, essa tática
começou a lhe trazer problemas. Ida Tarbell, filha de um produtor de óleo da Pensilvânia,
arruinado por John D., escreveu uma série de artigos sob o título: "A História da Standard Oil
Company", publicados na revista "McClures". Um crítico da época registrou que o trabalho
de Ida Tarbell "significava o corajoso desmascaramento de uma moral criminosa, disfarçada
sob o manto da respeitabilidade e do cristianismo."
28 O monopólio de Rockefeller começou a

ser combatido por uma América sinceramente religiosa, defensora da moral nos negócios e

profundamente indignada. Em 1906, a companhia foi condenada por violação da lei antitruste.

A sentença da Suprema Corte, prolatada em 15 de maio de 1911, era vazada nos seguintes

termos: "Sete homens e uma máquina corporativa conspiraram (sic) contra seus concidadãos.

Em nome da segurança da República, essa perigosa conspiração (sic) deve ser encerrada até o

próximo dia 15 de novembro. A Standard Oil de Ohio foi, então, dividida em diversas novas

corporações, das quais oito, de início, mantiveram a expressão "Standard Oil" em seus novos

nomes. Mais tarde, para dar ao público a impressão de que o desmembramento da empresa

original fora mesmo efetivo, essas empresas foram assim reagrupadas e renomeadas: Mobil

Oil (fusão da Standard de New York com a Vacum Oil); Amoco Corp. (fusão das Standard de

Indiana, Nebraska e Kansas); Chevron Corp. (Standard Oil da California e de Kentucky);

Exxon (Standard de New Jersey); Atlantic Richfield; Buck-eye Pipe Line; Pennzoil e Union

Tank Car Co. Curiosamente, o fracionamento da empresa de Rockefeller só fez-lhe aumentar

a fortuna. Ele foi o primeiro bilionário da história da América. Ao morrer, John Davison e seu

único filho John Jr., tinham construído não só um império do petróleo, como instituições do

porte do Banco Chase Manhattan, da Fundação que lhes leva o nome, da Universidade de

Chicago, da Lincoln School, da Universidade Rockefeller, em New York, e do Instituto

Rockefeller de Pesquisas Médicas. Dizem os especialistas que, se algum dia, alguém rivalizou

em riqueza e poder com John D. Rockefeller, foi John Pierpont Morgan, um homem, ainda

mais do que ele, ligado às elites britânicas. Sua mãe, Juliet Pierpont Morgan, era filha do

reverendo John Pierpont, um conhecido anglófilo, e neta de um dos fundadores da

Universidade de Yale. Seu pai, Junius Spencer Morgan, financista, mudou-se para a Inglaterra

em 1850 e lá virou sócio de outro americano, George Peabody, um antigo associado da

família Rothschild (ramo inglês). Formaram uma empresa financeira denominada Peabody,

Morgan & Co. Com a retirada do sócio Peabody, em 1864, Junius e o filho John assumiram

integralmente o negócio, mudando-lhe o nome para Morgan & Co. Os Morgan logo se

tornaram íntimos dos Rothschild, até mesmo se hospedando em sua casa. Muitos autores

denunciaram o fato de que os Morgan se tornaram testas de ferro dos Rothschild nos Estados

Unidos. Eustace Mullins, o americano que primeiro revelou, em 1952, as manobras secretas

que resultaram na criação do Federal Reserve pela banca privada, também denunciou que os

interesses do barão britânico Nathan Mayer Rothschild eram defendidos, na América, pelos

Morgan. "Apesar deles manterem um agente registrado nos Estados Unidos... era

extremamente vantajoso possuir um representante americano não identificado com os

Rothschild. Por isso, preferiam operar anonimamente, naquela praça, atrás da fachada de

J.P.Morgan & Co...".

28 MARRS, JIM, in "rule by SECRECY".

Armindo Augusto de Abreu

13

ORA, DIREIS, OUVIR ESTRELAS...

"O Segredo é a Alma do Negócio"

VELHO ADÁGIO PORTUGUÊS

Sabendo, anteriormente, que os fundamentos das ações de conquista e
manutenção do poder são o sigilo e as informações estratégicas ou privilegiadas, compreendesse
porque pesquisar segredos, de forma legal ou clandestina, pode ser considerada atividade
de altíssimo interesse, apesar do risco envolvido. Não é de todo repulsivo que ao Estado,
através das polícias e dos serviços secretos, seja dado bisbilhotar a vida alheia, desde que os
produtos dessa xeretice se destinem, apenas e tão somente, à sua defesa ou à inteira proteção
dos cidadãos. Como, às vezes, a investigação é percebida ainda a meio, sem que se possa, ou
se deseje, instruir acusações contra o observado, o remédio é negar, sempre que possível, o
feito, considerá-lo "apenas um caso fortuito", naturalmente atribuível a "interesses escusos"
ou aos "inimigos das liberdades democráticas".
O complicado, desde tempos imemoriais,
mesmo antes de se inventarem os telefones e os grampos, tem sido distinguir entre as
operações feitas no legítimo interesse público e aquelas em prol das causas restritas,
particulares. Como todos percebemos, os mercados, principalmente os das informações, já
governam tudo nos dias de hoje, até mesmo certos governos,...por que conhecimento é poder.
Conhecimento exclusivo é poder restrito e, portanto, matéria-prima preciosa para qualquer um
que dele possa se valer. Daí fica-nos a certeza de que os grampos, apesar de incompatíveis
com os discursos líricos ou oficiais em favor da privacidade do cidadão e da mais irrestrita
democracia, continuarão a ser "commodity" ambicionada pelo mercado, público ou privado.
Afinal, como reza o adágio,..."o preço da liberdade é a eterna vigilância"... , o que certamente
não exclui as conversas e os movimentos alheios. Ante essa evidência, não se deve deixar de
apreciar os meios, lícitos ou espúrios, ostensivos ou secretos, as conspirações enfim, de que se
valem os humanos para se manterem adequadamente informados, ou, apenas, para impedirem
essa possibilidade aos adversários. Como é universalmente bem aceito, não pairam muitas
dúvidas quanto ao fato de que a sede das forças que detém o poder mundial esteja, mesmo,
localizada nos Estados Unidos muito embora, deva-se ressaltar, isso não signifique,
necessariamente, que o poder mundial seja os Estados Unidos. Intelectos respeitáveis têm
assumido que aquele país possa vir a ser, apenas, a materialização física, visível, desse poder,
consubstanciado em pujança física, riqueza e capacidade militar inigualáveis. De outro lado, é
razoável supor-se que o "mercado de informações secretas", essencial às atividades
concernentes à ampliação do poder, como qualquer outro mercado nos dias de hoje, também
tenha evoluído sob forte tendência concentradora. Isto posto, não é difícil aceitar o fato de que
a sede do "observatório universal", centro mundial da espionagem, também fique em
território norte-americano, não apenas recebendo e processando informações de sua rede de
aliados como, igualmente, controlando-a. E isso, registre-se, é a pura verdade. A luta tem-se
revelado tão pesada e profissional nesse terreno que, além das pessoas físicas e dos estados
nacionais, os próprios mercados comuns, meninas dos olhos do status globalizante e sonho
dourado dos trilateralistas, já sofrem as incômodas conseqüências da desconfiança e da
bisbilhotice internacional. É cobra comendo cobra. O Parlamento Europeu, órgão legislativo
da União Européia, denunciou a existência de um aparato de espionagem internacional
denominado ÉCHELON, desenvolvido a partir do fim da II Guerra Mundial para monitorar a
antiga URSS e seus aliados. Com o fim da guerra fria, o sistema foi adaptado para farejar as
"comunicações civis do século XXI". Com tal manobra, o núcleo de poder conseguiu
preservar o orçamento de bilhões de dólares do tempo da bipolaridade ideológica e militar.
Ativo desde os anos 70, o ÉCHELON consistiria numa rede capaz de filtrar e ordenar
informações a partir de palavras-chave pronunciadas, da mesma forma que sistemas existentes

para rastrear informações na Internet. Essa denúncia foi responsável por dezenas de reuniões
de especialistas, entre os quais o investigador neozelandês Nicky Hager, autor do livro
"PODER SECRETO". Nele, Hager confirma a denúncia de que o sistema central do
"ÉCHELON" fica em "Fort Meade", próximo a Washington, onde opera a National Security
Agency (NSA), Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos, e possui, entre outros,
um braço australiano, o Government Communications Security Bureau (GESB), que lhe
municia com informações a respeito de tudo que se passa nos países da área do Pacífico,
colhidas em Waihopai (Nova Zelândia) e Geraldtown (Austrália). Segundo o livro, os agentes
do GESB que, na verdade, é o próprio serviço secreto da Nova Zelândia, passam os dias lendo
as correspondências eletrônicas e as transcrições dos telefonemas entre governantes, políticos
e empresários da região, repassando os achados "interessantes" para a NSA, em Washington.
O "poder secreto", a que alude Hager, transcende à política e atua em questões puramente
comerciais, incluindo espionagem industrial nos chamados "países amigos". Antigamente, 52
conjuntos de monitoramento trabalhavam de forma independente, porém nos anos 80 foram
reunidos sob um sistema integrador denominado "Platform". Toda a estrutura desses
conjuntos foi unificada, nos dias de hoje, sob o nome de United States Sigint System (USSS).
Nem mesmo os grandes aliados dos Estados Unidos escapam dos "olhos eletrônicos",
estruturados a partir do importante centro de Menwith Hill, na Inglaterra. A França decidiu se
precaver contra essa vigilância montando aparato próprio de interceptação, na certeza de que
é vítima dos olhares malignos do "big brother" e atribuindo a eles a perda do contrato para a
construção do nosso Sivam. Essa informação é suportada por Duncan Campbell, o jornalista
que redigiu a denúncia do Parlamento Europeu, o qual afirma haver a empresa francesa
Thomson, em 1995, quando concorrente à licitação para a construção do Sivan, denunciado
que o Brasil também estaria sendo alvo dessa rede de espionagem. A norte-americana
Raytheon teria se valido de informações privilegiadas da Thomson, obtidas por meio do
USSS, para vencer a corrida pela encomenda. Até mesmo a nossa EMBRAER, segundo
informações veiculadas no Canadá, onde fica a sede de sua maior concorrente no mercado, a
Bombardier, seria um dos alvos preferenciais do sistema.
29 Todo o universo seria vulnerável
ao esquema eletrônico desse conjunto, que possui o mais espetacular, amplo e sofisticado
sistema de satélites do mundo.
A América Latina seria monitorada pelo Canadá, o Pacífico
pela Austrália e a Nova Zelândia, e toda a Europa, pela Inglaterra. Na Ásia, dois países são o
alvo principal do aparato: o Japão, adversário econômico, e a China, que pode vir a se tornar o
grande rival militar. Hager e Campbell continuam as investigações, mantendo estreito
intercâmbio, e já levantaram a existência de outros sistemas secundários, sob uma única
bandeira, ainda não inteiramente revelados para o público
30. Essa é a lógica cruel e fria do
negócio, não poupando, sequer, a privacidade de nenhum cidadão, deste ou de qualquer outro
país onde se viva. Câmeras de televisão, nos Estados Unidos e em diversos outros países
industrializados, monitoram permanentemente as ruas, os"shopping centers", os
estacionamentos, os edifícios públicos e privados, sob a alegação de prevenção do crime,
proteção aos clientes e moradores, programas de prevenção ao uso de drogas, segurança
patrimonial, etc.
A espirituosa frase "Sorria, você está sendo filmado", vista aqui e em todos
esses países, é apenas uma cortesia adicional do status quo, para que você se lembre de ser
socialmente bem comportado e não cometa pequenos delitos. Ela não significa, em hipótese
alguma, que você não possa estar sendo vigiado, em qualquer ocasião, por outros meios não
anunciados ou perceptíveis. Em sociedades que se vão sofisticando, a polícia e algumas
organizações conhecem amplamente a vida privada de cada cidadão, dispondo do registro
completo de seus movimentos. Fique despreocupado, mesmo que pouco organizado com seus
papéis, documentos e registros de informações pessoais, pois, provavelmente, eles já estarão a

29 NASSIF, Luis in "O projeto "Echelon", São Paulo, na Folha de S.Paulo de 05/12//2000, fls B3.

30 CARLOS, Newton in "PODER SECRETO", Rio de Janeiro, no J. Brasil de 28.08.2000.

salvo, devidamente catalogados por pessoas mais cuidadosas do que você, ao alcance de
olhares atentos à frente de um computador. Junto a esses dados, é provável que estejam,
também, os registros completos dos destinos de suas viagens, dos seus programas sociais e
amizades favoritas, preferências por livros, restaurantes, jornais, revistas, filmes, "chats" e
"sites" favoritos na Internet, programas de TV paga ou aberta, multas de trânsito, com
fotografias do carro e seus passageiros, registrando locais e horários das infrações, bem como
todos os pagamentos efetuados com seus cartões de crédito ou de débito automático em conta
corrente. Permaneça sempre atento. Olhos curiosos podem conhecer por onde e com quem
você anda, fazendo o que, com quanta pressa e a que custo. Se você vive no Brasil, país onde
ainda se convive com costumes e práticas consideradas um tanto primitivas por outras
sociedades, acredite: até mesmo suas declarações do imposto de renda podem ter sido
"disponibilizadas" em algum mercado informal de balcão ou da esquina mais próxima da sua
casa...

LIBERDADE, LIBERDADE, ABRE AS ASAS SOBRE NÓS...

"O Povo Quer Saber!!!"

SÉRGIO MALLANDRO, apresentador de TV.

Apesar do exacerbado culto à privacidade e do discurso populista universal da

"democracia a qualquer preço,"leis severas e restritivas têm sido aprovadas em várias partes

do mundo ocidental, reduzindo a presença popular nas grandes decisões e enfeixando poderes

quase discricionários nas mãos dos dirigentes eleitos, sem que disso o cidadão se aperceba ou

venha a ser alertado. As tenazes totalitárias vão sendo apertadas e as liberdades reais

murcham, quase imperceptivelmente. A "democracia das medidas provisórias" não é um

fenômeno exclusivamente brasileiro. Mesmo o sistema americano, paradigma para o resto do

mundo, acompanha, ou lidera, essa inquietante tendência. Desde o fim da II Guerra Mundial,

o Congresso dos Estados Unidos vem concedendo, ao presidente, poderes executivos que lhe

permitem, solitariamente, controlar a máquina governamental e as forças armadas, em caso de

um ataque nuclear inimigo ou de qualquer outra emergência nacional. Entende-se que, na

eventualidade de uma ameaça de calibre atômico, seja natural que o presidente disponha de

poderes legais para atuar, sem restrições, na defesa do país e dos cidadãos. O que eminentes

americanos questionam é o fato de que, sendo a lei pouco clara nas definições do que seja

uma efetiva "emergência nacional", possa um futuro presidente vir a declarar como tal uma

situação que lhe sirva, apenas, de pretexto para fazer passar medidas que o Congresso negaria

em circunstâncias normais. O medo de que uma ditadura se estabeleça em solo da "soidisante"

maior democracia do planeta existe, de fato, entre muitos. Eles alegam que tais

poderes discricionários, colocados nas mãos do presidente em situações de definição

imprecisa, seriam iguais ou maiores dos que possuíram Adolf Hitler e Joseph Stalin nos

períodos de suas ditaduras. Isso, porque a leis de exceção em vigor facultariam ao presidente,

a seu único e exclusivo critério, o direito de declarar tal estado de emergência. A partir daí, e

sem qualquer ingerência do Congresso, ele poderia invocar, no conjunto ou em parte, os

decretos de números 10995 a 11005 que lhe permitem, entre outras medidas: arrestar todo e

qualquer material impresso ou elementos de comunicação e mídia eletrônica; combustíveis e

geradores de energia elétrica; minerais, suprimentos alimentares, todos os veículos e meios

Armindo Augusto de Abreu

16

úteis de transporte público ou privado; mão de obra para trabalhos forçados, podendo,
inclusive, separar famílias para tal fim, e, também, transferir cidadãos ou determinar-lhes o
abandono de áreas residenciais. Compreender o alcance dessas medidas, se efetivamente
aplicadas em situações de extrema gravidade, não é difícil. O que, entretanto, causa
perplexidade e temor é a possibilidade de um outro decreto legislativo, o de número 11051,
vir a ser utilizado por pressões externas irresistíveis, principalmente do sistema financeiro
internacional. É que ele, simplesmente, "autoriza o Office of Emergency Planning (Secretaria
de Planejamento das Situações de Emergência) a colocar em efeito todas as medidas de
exceção acima citadas, em casos de grave tensão internacional ou de crise financeira". O
jornal Washington Report, em editorial nos anos 90, ressaltou que o presidente também
poderia, sob força da lei conhecida como "McCarran Act-Title II" (Lei McCarran, parágrafo
segundo), deflagrar a chamada Operação DRAGNET (rede de arrastão), suspendendo a
vigência da Constituição, com um simples telefonema, e impondo a lei marcial. Fontes
confiáveis relatam que agências governamentais acumulam os nomes de mais de um milhão
de americanos em Washington, num computador Univac de alta velocidade, como candidatos
à prisão, no caso de uma emergência nacional vir a ser declarada no futuro.
31 Comprovando

que as esquerdas podem estar mesmo no poder, as mesmas fontes sugerem que essa lista

contém nomes de membros da chamada "direita cristã", hoje abrigada sob o "guarda-chuva"

do Partido Republicano, e de todos os cidadãos que já expressaram, publicamente,

preocupações com a Nova Ordem Mundial e a formação de um governo globalmente

unificado, pondo fim à soberania e à liberdade da América. Agências federais, como o FBI,

poderiam prender rapidamente as pessoas constantes dessas listas e confiná-las em "campos

de detenção". Numerosas fontes confirmam que esses campos já existem em vários estados

americanos e podem estar relacionados com o programa de Segurança Nacional do presidente

Reagan, conhecido como "Rex 84", que criou onze centros federais de detenção na Flórida,

Virgínia, Geórgia, New York, Pennsilvania, Winsconsin, Arkansas, Arizona e Califórnia
32.

Outras fontes confiáveis asseguram que unidades da Guarda Nacional e do Exército estão

treinando em réplicas de cidades americanas, construídas em unidades do exército, para, em

operações porta a porta, atacar civis portadores de armas de fogo e confiscá-las à força. Elas

também afirmam que os interessados em submeter os Estados Unidos ao governo mundial

sabem que tanto civis armados quanto segmentos militares poderosos representariam séria

ameaça ao seu intento. A estratégia adequada de neutralização será, portanto, desarmar os

civis e enfraquecer, progressivamente, todos os militares, enquanto for armado um poderoso

exército para a ONU. Lembram que, já em 1961, o Pres. John Kennedy ordenara ao

Departamento de Estado que produzisse um programa denominado "Libertação da Guerra: o

Programa dos Estados Unidos para o Total e Completo Desarmamento em um Mundo

Pacífico" (Publicação do Departamento de Estado n.7277). É um projeto a ser desenvolvido

em três fases: primeiramente, diminuir os efetivos do Exército, da Marinha e da Força Aérea.

Em seguida, implementar o estágio atual, em que a força de paz das Nações Unidas seria

formada e progressivamente fortalecida. O terceiro e último estágio, de desmobilização

controlada, impediria que quaisquer forças armadas, inclusive as dos Estados Unidos,

pudessem desafiar o fortalecido contingente da ONU. Significativamente, lembram que o

Presidente Bush (pai) assinou uma ordem executiva em 1990, transferindo a terça parte das

aeronaves (aviões e helicópteros) da reserva estratégica americana para um organismo

chamado FINCEN: Financial Crimes Enforcement Network (Rede para a Imposição da Lei

contra Crimes Financeiros), destinado a operações especiais, ao custo de $12,8 bilhões de

dólares. Essas aeronaves foram inteiramente pintadas de negro, sem qualquer identificação

externa, e estão sendo usadas pela FINCEN e outras forças tarefas especiais de jurisdição

31 McALVANY, Don, McAlvany Intelligence Advisor. Phoenix, Dec. 1993

32 McAlvany Intelligency Advisor, 1995.

múltipla, incluindo tanques e equipamentos pesados como, por exemplo, as que teriam
causado a tragédia de Waco, no Texas, em 1993, onde um grupo, dito religioso, incluindo
mulheres e crianças, em suposta sedição, encontrou a morte num pavoroso incêndio
provocado por armamento de grosso calibre.
33
As mais recentes investigações desse episódio,
causadoras de embaraços para o governo, evidenciam, não só, que agentes federais atacaram
primeiro, como o referido grupo parecia ter motivações políticas preponderando sobre
quaisquer interesses religiosos. O revide não se fez esperar. Em 1995, no exato dia do
segundo aniversário da tragédia, em episódio também ainda nebuloso, uma poderosa bomba
destruiu o prédio federal "Alfred P. Murray", quartel do FBI na cidade de Oklahoma, também
no Texas, onde, além da imensa perda material, morreram civis e crianças abrigadas numa
creche ali existente, exclusiva para filhos de funcionários daquela Agência. O resultado das
investigações, à moda dos desastres aéreos, nunca ficou claro para o público pagante, tendo o
cidadão Timothy McVeigh, ex-militar combatente, sido condenado à morte pela autoria
material do atentado. Hoje, ele está preso na penitenciária federal de Terre Haute, Indiana.
Apesar de sua execução ter sido fixada para o dia 16 de maio de 2001, por injeção letal, suas
reais motivações ainda não tinham sido inteiramente reveladas até o momento da sentença.
Apesar dos silêncios ou das negativas governamentais, tais focos de resistência ao governo e à
mundialização prosperam rapidamente. Como tem sido usual nesses casos, os grupos rebeldes
recebem da imprensa o título genérico de "milícias" e seus integrantes de "fanáticos
religiosos". Os que não se satisfazem com as inconsistentes versões dos governos e da mídia,
são referidos como "paranóicos". Com isso, o cerco às possibilidades de defesa, moral ou
física, individual ou organizada dos cidadãos, se estreita.
Mas, em contrapartida, aumenta a
reação popular ostensiva. A persistente campanha deflagrada pela erradicação das armas de
fogo comercializadas legalmente, na quase totalidade entre cidadãos de bem, para sua
legítima defesa, sob a convincente chantagem emocional da "paz" e da "bala perdida", nunca
trouxe à discussão pública dois aspectos de grande relevância: primeiro, a de que é uma
batalha travada, simultaneamente, em âmbito mundial, especialmente junto ao povo dos
Estados Unidos; segundo, a de que visa, em verdade, a impedir, em qualquer parte do globo,
que a população, organizada, pegue em armas contra um governo que considere espúrio,
opressor, contrário aos seus interesses, aspirações e necessidades ou aos objetivos nacionais.
Esses "novos valores", que reformulam ou substituem antigas aspirações cristalizadas no
"sonho americano," aliados às crescentes desconfianças contra a ONU, o Governo Federal, o
FBI e outras agências governamentais ou multilaterais, têm tornado duríssima a batalha entre
autoridades e a sociedade, pelo banimento das armas de fogo. Durante o governo democrata
de Bill Clinton, os desarmamentistas conseguiram alguns avanços sensíveis, como a proibição
do porte de armas pesadas e de repetição pelos cidadãos, permanecendo em vigor a permissão
para o porte de armas leves, semi-automáticas. Entretanto, com o retorno dos republicanos de
George W. Bush ao poder, que julgam simpáticos a sua causa, grupos armamentistas,
liderados pela combativa National Rifle Association, presidida pelo veterano ator Charlton
Heston, esperam recuperar o espaço perdido no período democrata. A tese
racionalista/iluminista da legitimidade na derrubada de um regime opressor, consolidada com
a guerra da independência americana, veio a ser mundialmente aceita, especialmente a partir
da Revolução Francesa. Ela serviu de sustentação político-filosófica para a derrocada, pacífica
ou revolucionária, das monarquias européias, respaldadas desde a Idade Média pelo "direito
divino" do cristianismo, e dos impérios coloniais surgidos posteriormente, fortalecendo os
parlamentos e a chamada "democracia participativa". Aos céticos e incrédulos, que costumam
desdenhar dessas possibilidades, convém lembrar que Thomas Jefferson, ao redigir a
"Declaração de Independência" dos Estado Unidos (1776), subscrita por todos os membros do
Segundo Congresso Continental, inspirando-se nas idéias racionalistas de John LOCKE

33 JEFFREY, Grant R., Oregon, Harvest House Pub.,1982.

Armindo Augusto de Abreu

18

(1632/1704), argüia que: "Os homens possuem direitos naturais à vida, liberdade e

propriedade. Os governos são estabelecidos não por Deus, mas pelos homens para proteger

esses direitos. Se o governo falhar em cumprir seus deveres, os homens têm o pleno direito de

se revoltar, depor o governo que eles criaram antes e estabelecer novo governo de sua

preferência". É claro que os cidadãos americanos, para quem "todo o poder emana do povo",

e, em conseqüência, "os governos devem ser do povo, pelo povo e para o povo," percebem o

perigo que os anda rondando e prometem reagir, até pela força como fizeram no passado, se

preciso for, para que tais princípios e ideais continuem a governar a sociedade e a inspirar sua

consciência cívica. Em várias partes do mundo, essas idéias têm sido simpáticas à

intelectualidade militar desde o século XIX, inclusive no Brasil, quando adeptos do

racionalismo positivista defenderam e proclamaram a república. Aqui, elas têm sido,

tradicionalmente, debatidas e acolhidas por civis e militares que cursam a Escola Superior de

Guerra ESG
34. De certa forma, tais fundamentos filosóficos deram respaldo doutrinário, não

só entre nós, como em toda a América Latina e em outras partes do mundo, a movimentos

insurrecionais que originaram freqüentes e longos períodos de governos de exceção.

Corrupção, subversão, quebra da hierarquia, da disciplina e o comunismo foram as

determinantes para as reações a governos declarados ilegítimos. A etiologia e a geopolítica do

poder, entretanto, mudaram radicalmente após a guerra fria, quando têm início os movimentos

pela etapa radical da mundialização e da concentração dos poderes e interesses

supranacionais, muito acima e além daqueles jamais detidos pelo estado-nação. Esta nova

questão, como se percebe, é séria demais para ser decidida apenas nas esferas filosófica,

política ou econômica."Os militares representam a expressão física do instinto de preservação

e sobrevivência de uma nação".
35
A globalização e a falência dos estados nacionais, pela
desnacionalização acelerada das economias; a rendição ao mercado, entidade cada vez mais
excelsa, fria e distante do homem, a quem seria suposto servir ao invés de subordinar; a
submissão servil a desígnios espúrios e legislações de cunho mundialista poderiam vir a
despertar esse poderosíssimo instint
o. Daí, não seria demasiado surpreendente se ele viesse a
se converter no leviatã de novas inquietações ou rebeldias entre as tropas, que hoje se vêem
enfraquecidas, em gradual extinção, juntamente com os estados que juraram servir e defender
com o sacrifício das próprias vidas. Exatamente por isso, no novo cenário que se está
desenhando, em longo prazo, não haveria mais espaço, em país algum, o que não exclui o
Brasil e os Estados Unidos, para a influência do pensamento militar e dos seus centros de
excelência intelectual sobre o poder civil. O simples cogitar dessa possibilidade, em qualquer
local do globo, será, futuramente, vista pelo "establishment" como anacrônica, ameaçadora
aos interesses globais e desencadeará reações e retaliações em bloco. Isso, pelo menos, é o
que pretende o sistema. Resta saber se todas as partes interessadas no processo estarão, em
quaisquer circunstâncias, inteiramente de acordo com essas novas regras do jogo... Tamanho
conjunto de fatos bastaria para explicar, sem excessiva dose de paranóia, o esvaziamento
orçamentário e o sucateamento a que vêm sendo submetidas as Forças Armadas brasileiras e
as de muitos outros países dispersos pelo globo. Em decorrência, a ESG, agora jurisdicionada
ao Ministério da Defesa, outra invenção maquiavélica dos que desejam aumentar distâncias
entre os comandos militares e os centros de decisão governamental, também vai sendo
aliviada de apoios institucionais, de recursos materiais, humanos e de seu, outrora, inabalável
e merecido prestígio. Suavemente, a ESG vai sendo obrigada a ceder espaço para "thinktanks"
de extração exclusivamente civil, internacionalista e globalizante, como o recémcriado
CEBRI-Centro Brasileiro de Relações Internacionais, correspondente brasileiro do
todo poderoso "Council on Foreign Relations" CFR. À tradicional instituição militar,

dedicada exclusivamente aos interesses nacionais, conforme consagra o slogan pespegado ao

34 Manual Básico, Rio de Janeiro, ESG, 1983, páginas 44 e 45.

35 BOAVENTURA, Jorge, em entrevista pessoal e palestras na ESG.

Armindo Augusto de Abreu

19

seu frontispício, "Nesta casa estuda-se o destino do Brasil", tem sido oferecido a mesma dieta

espartana das demais unidades militares: pão escasso, pensamentos e vozes intramuros, em

nome do equilíbrio orçamentário e da "democratização" do país. Já o neonato CEBRI,

organização de direito privado, demonstrando força e prestígio, surge rica e abundantemente

apadrinhado com recursos públicos, que lhe repassaram o Itamarati e uma plêiade de

poderosas estatais, além do generoso mecenato de prestigiosas empresas privadas ou recém

privatizadas, e de financiamentos externos do Banco Interamericano de Desenvolvimento

(BID) e do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).
36 A sua força

motriz é tão poderosa que já se sobrepôs, até mesmo, aos interesses do povo do Rio de

Janeiro, cidade que abriga o seu quartel-general. Segundo importante órgão da nossa

imprensa, "foi preciso que viessem pedidos de deuses de Brasília para fazer Artur da Távola,

secretário municipal de Cultura, desistir de pedir de volta o casarão da Rua Dona Mariana,

que pertenceu a Afonso Arinos de Melo Franco. O imóvel da prefeitura foi cedido na gestão

passada (do ex-prefeito Conde-N.A.) para o Centro Brasileiro de Relações Internacionais

(Cebri), ONG dirigida pelo ex-chanceler..."
37 O CEBRI se define, peculiarmente, como uma

"ONG, um espaço autônomo e independente", que "embora apoiado pelo Governo Federal,

por meio do Ministério das Relações Exteriores, não é uma instituição governamental".

Informa, ainda, que "foi criado com a finalidade de ser o mais importante think-thank de

políticas públicas na área externa do país" e de exercer "influência no processo decisório

governamental e na atuação do governo em negociações internacionais". Tem como principal

objetivo "auxiliar na definição dos interesses nacionais e estratégias de atuação na área

externa". Sua pauta de intenções, um tanto peculiar e ambiciosa, pretende, ainda, "produzir

conhecimento específico na área externa e propostas para a elaboração de políticas

públicas".
38 Enquanto a atual direção do CEBRI foi confiada ao diplomata e ex-chanceler

Felipe Lampreia, que, ao deixar, subitamente, o Ministério das Relações Exteriores, assumiu

tamanha honraria, o Comando da ESG sofreu um "downgrade", sendo agora destinado a

oficiais generais de três estrelas, ainda com possibilidades e naturais aspirações de progressão

funcional. Isso não conforta tanto aos atuais titulares desse comando, obrigados, por dever de

ofício, a formular críticas às políticas e estratégias de governo, quanto favorecia aos generais

de quatro estrelas de um passado recente, assegurando ao cargo a independência e a

autoridade de quem já atingira o topo da carreira. Muito embora não se possa, a rigor, inferir

que tal medida tenha sido arquitetada para impor limites à atuação técnica e política da ESG, é

inegável que ela certamente contribuirá, pelo menos, para a adoção de cuidados adicionais aos

relatórios críticos ali elaborados. Outra questão que não pode mais ser negligenciada pelos

intelectuais, em geral, e analistas de inteligência, em particular, é a do pensamento

doutrinário. Sendo as doutrinas, no sentido mais amplo, genérico, estruturas organizadas de

pensamentos, embasadas em sólida sustentação axiológica (de valores), conceitual,

metodológica, normativa, destinadas a fundamentar sistemas religiosos, políticos, filosóficos,

científicos e militares, são ferramentas indispensáveis a uma disciplina intelectual de visão

ampla, abrangente, forma preferentemente confiável de permitir, aos pensadores, a melhor

visão crítica do universo. Como as doutrinas, com base no perfeito conhecimento da

realidade, têm a pretensão de indicar caminhos para modificá-la
39em busca do Bem Comum,

são indispensáveis à percepção global dos problemas coletivos e à formulação das suas

soluções mais criativas. Já as especializações científicas, hoje tão em voga, ao contrário das

doutrinas, fracionam o conhecimento ao dissecá-lo, contribuindo para que desapareçam os

generalistas em favor de especialistas, a visão universal em prol do confinamento de limites,

36 CEBRI, Boletim Informativo, n. 1, Maio 2000. Colaboração gentilmente oferecida pelo Prof. Jorge E.F.Barbosa, Cel., ex-Reitor da UFF.

37 GOIS, Ancelmo, in No Ponto, J. do Brasil, de 10 abril, 2001, pág. 04.

38 Boletim Informativo do CEBRI número 1, maio de 2000, ibidem.

39 MAFRA, Roberto Cel., Geopolítico, Professor Emérito da Eceme, Chefe da Divisão de Pesquisa e Doutrina da ESG, em depoimento ao

autor, em documentos escritos e palestras na Esg.

Armindo Augusto de Abreu

20

mesmo que altamente aprofundados. Com isso, as doutrinas estão virando letra morta e

sepultando, com elas, a capacidade e o adestramento para se pensar amplo, holisticamente. A

doutrina da Igreja Católica, por haver perdido muito do seu vigor operacional, face às

sucessivas baixas sofridas no contingente de fiéis, resultando no seu fracionamento em

múltiplas facções e seitas de resultados. Nessas novas "igrejas", surgidas sob o dogma da

liberdade religiosa, em que até iletrados podem ser, em algumas delas, pastores, o que menos

importa são os fundamentos axiológicos, a essencialidade da boa doutrina, a perspectiva de se

alcançar amplos horizontes teológicos ou filosóficos. Essas competências, como em qualquer

outro mercado meramente terreno, foram substituídas por ações de resultados exclusivamente

práticos, dirigidos, como o combate sem quartel a todos os demônios ou a recuperação da

saúde e do emprego, atividades financiadas por convincente e eficaz sistema de coleta dos

dízimos... Prepara-se, também, para abandonar o púlpito, a última geração de competentes

marxistas, adeptos de uma organização de idéias e de princípios polêmicos, mas, sem dúvidas,

capazes de despertar visões macroscópicas e de provocar pensamentos de grande acuidade e

ampla visão. Sua doutrina, subitamente condenada ao julgamento da história, vai deixando o

cenário, extinguido-se por decurso de prazo... Já as militares, as das três forças singulares, e a

doutrina política da ESG, com seu eficaz método de planejamento para a ação política,

perderam o viço num mundo que desmonta o estado e onde não se faz mais necessário, nem

permitido, planejar, para não serem "contrariadas as forças livres do mercado..." Vão-se,

portanto, as doutrinas e a capacidade de pensar grande e à longa distância. Vêm o marketing

agressivo e as "reflexões instantâneas" da comunicação de massa, formas modernas, porém

banalmente previsíveis, da unificação programada dos corações e das mentes humanas...

A ASCENÇÃO DO PODER DA CIÊNCIA E

O PRENÚNCIO DE UM GENOCÍDIO EM MASSA.

No campo da Ciência e da Tecnologia, outro terreno onde as forças do "poder

oculto" se assentam solidamente, fazendo esmaecer a ética religiosa e encontrando

justificativas para os rumos que pretendam dar aos destinos da humanidade, reações, outrora

tímidas, começam a surgir com indignação e vigor, inclusive da comunidade científica

brasileira. Documentos competentemente elaborados indicam que o anúncio de novas

descobertas no campo da engenharia genética "se faz cercado da habitual deificação da

ciência atual" que, "com sua enorme capacidade de gerar inovações e saltos tecnológicos,

promete em manchetes futuristas estar se aproximando para controlar o envelhecimento e

produzir clones de nós mesmos. Esse processo, legitimado por alguns de seus êxitos, leva-a a

adquirir uma auréola mágica e determinista, colocando-a acima da razão e da ética. A

camuflagem dos riscos, alguns deles enormes, é feita com competência nas mídias globais,

impedindo-nos julgamentos e escolhas, já que apontam as conquistas da ciência apenas como

libertadoras da humanidade. Posições de cautela com relação a alimentos transgênicos,

objeções éticas quanto aos imensos riscos de manipulação genética e reações contra o

desemprego gerado pela automação radical, tudo passa a ser encarado por essa mídia como

posição reacionária de quem não quer o progresso". Renomados cientistas protestam quanto a

experiências secretas que estariam sendo feitas sem o conhecimento da comunidade científica.

"Transformados em fator fundamental na disputa dos mercados e da acumulação global, os

vetores tecnológicos autonomizaram-se de considerações sociais e políticas, definidos que

estão pelas grandes corporações e orientando-se exclusivamente pela criação de valor

econômico. No mundo global, os poderes que atuam sobre o destino individual estão mal

identificados, ocultos pelas redes transnacionais. No caso da manipulação genética, os riscos

Armindo Augusto de Abreu

21

são infinitamente maiores e não se pode permitir que essa atitude frívola de aprendizes de

feiticeiros possa ser a única forma de definir os rumos da ciência".
40. O que nenhum cientista

responsável pode ainda explicitar, por falta de provas públicas, é o que se conjectura, ainda à

boca pequena e atrás de portas bem aferrolhadas: Experimentos de engenharia genética

possibilitariam, no futuro, virem a ser inoculados nos organismos humanos, através da

ingestão de alimentos transgênicos, mecanismos literalmente comparáveis aos "vírus" dos

computadores, que, em determinadas circunstâncias e condições, deflagrariam respostas

orgânicas passíveis de lhes alterar o funcionamento biológico natural. É certo e claro que tal

descoberta, se dirigida para o bem estar dos seres humanos, poderá vir a eliminar doenças,

defeitos genéticos e, até mesmo, acrescentar-lhes anos de vida saudável. Ao contrário, o que,

infelizmente, se receia, é que tais experimentos possam vir a ser aplicados de forma pouco

ética, com geração de fatores limitadores ou restritivos da vida humana, modificando-lhes o

funcionamento ou a duração do ciclo vital. Este temor advém de haverem fracassado, até o

presente, as chamadas políticas malthusianas, para redução drástica do contingente

populacional do planeta, tais como: a legislação pró-aborto; a eutanásia; processos de

esterilização em massa, largamente aplicados no terceiro mundo; a chantagem da AIDS,

obrigando ao uso da camisinha, como contraceptivo, a pretexto de se evitar a contaminação

virótica; a proteção social e legal aos casamentos homossexuais, por resultarem estéreis, e a

banalização do sexo, a ser praticado como motivo de prazer e recreação, ao invés de voltado à

procriação como prescreve a tradicional ética judaico-cristã. Nessas circunstâncias, teme-se

que a engenharia genética, auxiliada por alimentação transgênica, venha a viabilizar o corte

populacional julgado "conveniente" pelos teóricos de um planeta que imaginam saturado,

poluído, com muitas espécies de animais em extinção, e que precisa ser protegido, por essa

elite oligárquica, do seu predador natural, o HOMEM CARENTE. Esse terrível argumento,

que ignora os fundamentos essenciais da criação, da solidariedade, da fé, da esperança, da

caridade, do domínio da terra e da ciência para o bem comum, poderá, camuflado pelo sigilo

absoluto, vir a ser fator preponderante no genocídio de gerações inteiras de seres humanos

"indesejáveis".

A CONSPIRAÇÃO DO QUARTO PODER

A Liberdade de Imprensa é para os proprietários dos Jornais,...ou das Estações de Rádio e TV.

J.LIEBLING

Raríssimas pessoas, nos dias de hoje, deixaram de perceber que poucos indivíduos

e organizações monopolizam a maior parte do conhecimento global restrito e que a opinião

pública tem sido moldada por uma visão açucarada dos fatos e da história. Jocosamente,

alguns autores americanos denominam essas "verdades edulcoradas" como a versão

"Disneylândia" dos fatos, versão "New York Times", versão "dos noticiários da TV" ou,

ainda, como a versão dos "livros textos das faculdades". Por essa razão, "a maior resistência

às teorias conspiratórias não vem do povo das ruas, mas da mídia, da academia e do governo,

gente que controla as economias da informação nacional e global".
41 "Uma "história oficial",

patrocinada pelo establishment, domina os livros textos, as publicações em geral, a mídia e as

prateleiras das bibliotecas. Durante os últimos cem anos, quaisquer teorias ou evidências

históricas que fujam a um padrão estabelecido pela American Historical Association e pelas

40 DUPAS, Gilberto in Aprendizes de Feiticeiro, Jornal do Brasil, 29/01/2001, p.nove. São de autoria do citado, as transcrições indicadas

neste trecho do texto.

41 VANKIN,Jonathan e WHALEN,John.

Armindo Augusto de Abreu

22

grandes fundações americanas, com seu imenso poder, têm sido sistematicamente atacadas ou

rejeitadas, não pelos fundamentos ou evidências que contenham, mas, simplesmente, pela

recusa formal na aceitabilidade desses argumentos, por parte do chamado sistema liberal do

ocidente (Eastern Liberal Establishment) e sua linha histórica oficial. -"Pobre do livro ou do

autor que sair dessas linhas mestras. Não receberá nenhum auxílio das Fundações. Os editores

lhes darão as costas. A distribuição falhará ou não existirá."
42É claro que os mentores do

círculo de poder, para manter à sombra as idéias que não lhes convém discutir, valem-se

desses e de outros expedientes possíveis e imagináveis. Os mais conhecidos de todos esses

subterfúgios, além do "black-out" completo de novas teses, idéias ou informações, são a

propaganda, a contra-informação, a tentativa de exposição ao ridículo e o descrédito. É fato

notório que a maioria das pessoas, além de muito sensíveis à propaganda, têm horror a

parecerem tolas, desinformadas, antiquadas. Em razão disso, tendem a se apegar, sem maiores

resistências, a modismos, a resultados de "pesquisas" de mídia, e às mais recentes teorias de

interesse do sistema político, social ou econômico, desde que isso as faça parecer modernas,

progressistas, inteligentes, enfim, perfeitamente adaptadas às realidades e novidades de seu

tempo. Sempre que informações relevantes, contrárias á visão "Disneylândia" dos fatos, vêm

à tona, a reação do poder é rápida, mobilizando a mídia de massa e "advogados

administrativos" de nomeada, erodindo logo o rastro incômodo. Isso é feito com inegável

competência, resultando, quase sempre, em completa neutralização dos oponentes,

desacreditando-os pela exposição a controvérsias virulentas e ao ridículo pela desmoralização,

pelo combate sem trégua. Para sucesso ou não dessa "estratégia do descrédito", é primordial o

papel assumido pelas mídias impressa e televisiva na orientação da sociedade, pois são os

veículos de melhor e mais eficiente instrumental de influência e credibilidade, junto à opinião

pública. Em decorrência, todo o aparato de poder não tem resistido, ao longo dos tempos, à

enorme tentação de influenciar, cooptar ou submeter a grande imprensa, tanto para seus

projetos explícitos quanto para os mais secretos, inconfessáveis. Analistas internacionais

contemporâneos de peso afirmam, porém, que esses tempos sutis de "cercos e circunlóquios"

já foram inteiramente superados pela ação prática, rápida e objetiva do mercado. Cortejar,

seduzir, influenciar, pressionar, já teriam sido substituídos por comprar, absorver, fundir,

esmagar, resultando em novos e poderosos conglomerados de mídia, onde o resultado

financeiro prevalece sobre a pureza da informação e do antigo jornalismo de ideais. "As

notícias, nos tempos atuais, são uma espécie de "commodity" do mercado, não pertencem

mais a uma profissão que já foi sagrada", teoriza Daniel Schorr, ex-correspondente da CBS.

"Isso, hoje em dia, não importa mais. Ganhe apenas o seu dinheiro e o interesse público que

vá para o inferno!" Essa importantíssima e sutil transformação estrutural da mídia, ainda

muito mal percebida e analisada, saltando da restrita esfera do interesse público para operar

segundo as regras vigentes no mercado, significa, essencialmente, que ela pode estar

migrando do universo ético, dos princípios e da moral, fiadora, portanto, dos costumes de toda

a sociedade, para o terreno movediço dos negócios, das jogadas e interesses do "business" e

da política partidária. Veículos jornalísticos de largo prestígio já não conseguem dissimular,

aos olhos de seus leitores, as manipulações que operam, ao alvedrio da ética e da verdade, em

favor de causas interessantes ao poder. Estariam, a se confirmar a tese, movendo-se na direção

dos lucros e do que se convencionou chamar de "estratégia de mercado", seja lá o que isso

signifique, mas que poderia, perfeitamente, ser entendido como abdicação da velha e

romântica aura de pureza e respeitabilidade em prol de interesses apenas materiais. O mal

estar profissional é tão forte que a reação já surge do próprio seio da mídia, comprometido

com os princípios mais elementares que deveriam orientar tão nobre atividade. E a quem viria

a convir e beneficiar este novo estado de coisas, em que os meios de comunicação se

submetem ao deus-mercado? Seguramente, não ao interesse público. E quais seriam os

42 SUTTON,Antony C, research fellow at Stanford University -Hoover Institution.

Armindo Augusto de Abreu

23

poderosíssimos e felizes beneficiários desses modernos e lucrativos negócios, que se renovam

a cada dia em velozes aquisições e fusões, gerando mega-estruturas empresariais de poder

inimaginável, quase absoluto? Não é fácil responder. Neste negócio, o segredo também é

pedra fundamental. Sabe-se, entretanto, que, segundo relatório produzido em 1982 por Ben

Bagdikian, reitor da Escola de Jornalismo da Universidade da Califórnia, em Berkeley, apenas

cinqüenta corporações controlavam a mídia de massa nos Estados Unidos. Em janeiro de

1990 esse número fora reduzido a vinte e três. Ao final de 1997 eram apenas dez: Time-

Warner, Walt Disney Co., Tele-Com., News Corp., General Electric, Gannet Co., Advance

Pub., Cox Enterp. e New York Times. Hoje, outras manobras acionárias reduziram ainda mais

esse pequeno número de empresas. Quanto aos seus titulares, pode-se apenas afirmar, com

alguma segurança, que grandes bancos retêm a maioria dos blocos acionários controladores

dessas empresas, cujos donos pertencem às mesmas organizações e sociedades "fechadas", ou

"secretas" anteriormente referidas. "Através de grupos de elite que modelam as políticas

americanas, como o Council on Foreign Relations, a Business Roundtable, a Comissão

Trilateral, o Federal Reserve Board e a Suprema Corte de Justiça, elas guiam a nave do

Estado na direção que lhes parece mais interessante ou lucrativa".
43 "A GE, a CapCities, a

CBS, a NBC, o New York Times e o Washington Post possuem diretores que têm assento no

Council on Foreign Relations". O segredo profissional e empresarial que cerca a maioria

dessas operações e os conglomerados que as executam, em outras circunstâncias seria até

natural se a matéria não envolvesse diretamente o interesse público, muito embora, nos dias

em que vivemos, ele seja tratado, tão simplesmente, como "assunto de mercado". Diante

disso, qualquer tese ou consideração contrária aos interesses deste formidável poder oculto é

logo rotulada de "paranóia conspiratória", trazendo aos autores toda a força e a carga negativa

do preconceito.

O FUNDAMENTALISMO POLÍTICO E RELIGIOSO

Nos Estados Unidos de hoje, o mais dedicado esforço para o esclarecimento das

possibilidades conspiratórias junto ao grande público está sendo feito através de verdadeiras

"cruzadas" empreendidas por organizações religiosas de confissão cristã, como a "Christian

Coallision", que recebem de importantes setores da mídia o tratamento jocoso de

fundamentalistas cristãos ou de "Komeinis americanos". Alguns grupos dessa coalizão, que,

em síntese, defende a volta aos ensinamentos básicos da Bíblia, têm fornecido farta munição

aos opositores, como faz, por exemplo, a "Coalision for Revival", defendendo o puro regresso

aos costumes do Século XVII, quando "mandava a Teologia do Reino e as colônias

americanas eram governadas pela Bíblia". Nem tudo, entretanto, está sendo colocado no

embornal do descrédito. ..."Jornais do porte do New York Times e Washington Post tratam

seriamente de livros como: "A Nova Ordem Mundial", escrito pelo reverendo Pat Robertson,

estrela da Christian Coalision, um dos componentes nobres da direita religiosa, onde estão

evangelistas, pentecostais, batistas e muitos outros. Robertson tem ficha respeitável. Andou na

corrida presidencial de 1988, concluindo que, primeiro, era preciso mobilizar tropas e depois

pensar na tomada do poder. É o que tem feito desde então, a partir da TV a cabo Family

Channel, na qual acusações freqüentes a Clinton envolvendo sexo se misturam, sabiamente,

com entretenimento de boa audiência. O livro de Paterson garante que as Revoluções

Francesa e Russa e o Banco Central dos Estados Unidos saíram de sinistra conspiração de

maçons, ocultistas, europeus e banqueiros suíços. O tamanho do alcance dessas pregações

pode ser medido pelos números da "National Religion Broadcasters". São 1600 rádios, o

dobro de 10 anos atrás, e 274 canais de televisão, contra 90 em 1984. Os ativistas devem

43 LEE, Martin A.; SOLOMON, Norman.
Unreliable Sources. New York: Carol Pub. Group, 1990.

Armindo Augusto de Abreu

24

somar um milhão. Mas vinte milhões, de acordo com o New York Times, se identificam com

as mensagens, contra "ateus que governam o país". "Num país onde votam pouco mais de 50

por cento do eleitorado, essa tropa de choque, em cima das urnas com chuva ou sol, só tem

avançado ultimamente. Tanto que a direita religiosa assumiu o controle interno do partido

Republicano em estados importantes como Texas, Minnesota, Oregon, Iwoa e Washington.

Participou da redação dos programas dos candidatos a governadores da Califórnia e Flórida e

se mostra com peso em mais partes do sul, agora sob domínio republicano, como na Virgínia,

Carolina do Sul e Louisiana. Muitos milhares já saíram às ruas da Califórnia a Nova York, de

uma costa a outra, para protestar contra "desmandos morais, sociais e políticos" e pedir nova

Constituição," em nome de Deus"... O ex-presidente da Câmara dos deputados, o republicano

Newt Gingrich, assumiu o posto prometendo emendar a constituição, reintroduzindo orações

diárias nas escolas. Há 38 anos a Corte Suprema julgou essa prática inconstitucional, porque

Estado e Igreja são separados. Clinton e sua mulher Hillary, acusados de " gay-loving" e

"feiticeira-feminista", entre outras pérolas, são os alvos principais. Também há o chamado

terrorismo antiaborto... "Se para salvar um milhão de bebês inocentes a cada ano for preciso

matar cem médicos, tudo bem, diz a "Prolife Action League", autora do livro "99 Ways to

Stop Abortion." Os "soldados de Cristo" se tornam, isoladamente," a mais efetiva organização

política dos Estados Unidos ", com o controle de TVs, rádios, conselhos de colégios e

parcelas significativas do partido Republicano. A ordem é "refazer a América como a Terra

de Deus"
44. Pelo visto, as recentes eleições americanas, que confrontaram o democrata Al

Gore e o republicano George W. Bush, expondo tantas fragilidades no sistema eleitoral

daquele país e inesperadas disputas judiciais entre ambas as facções políticas, representaram

algo muito mais importante do que uma simples e burocrática escolha entre as faces de uma

mesma moeda, como jocosamente se dizia. Pelo menos, é o que se pode inferir, sob a ótica

aguerrida dos deterministas cristãos. Aliás, evocados por essa inesperada guerra nos tribunais

pelo desfecho das eleições americanas, que ascendeu ao arbítrio da mais elevada instância

judicial do Estado da Flórida e, posteriormente, à Suprema Corte Federal, ocorre-nos que

Michael Novak ressaltou haver a constituição dos Estados Unidos sido redigida por simples

pecadores. E, acrescentou, que esse importante trabalho, tendo sido feito na presunção de que

o ser humano seria, sempre e irremediavelmente, um pecador, pressupunha também, na sua

essência, que os homens não mereceriam confiança integral. Por isso, os seus redatores

teriam, em verdade, "amarrado" o texto de modo a torná-lo propositadamente ambíguo. Este

foi o modo pelo qual "os pais da pátria" teriam organizado o governo daquele país, de forma a

que este não pudesse contrariar os interesses do povo e que nenhum grupo, isoladamente,

alcançasse controlar o país em detrimento dos demais. Foi um plano ousado e engenhoso que,

entretanto, poderá ficar comprometido pela existência de uma corte suprema sem peias nem

amarras. É o que imaginam já haver acontecido, por exemplo, as famílias cristãs, maioria nos

Estados Unidos, e cujos filhos estão legalmente impedidos de receber instrução religiosa nas

escolas públicas, ajudando-os a praticar e preservar princípios éticos e morais de sua milenar

cultura, os chamados fundamentos axiológicos da civilização ocidental judaico-cristã, em

nome dos quais tantos morreram em duas guerras mundiais. Thomas Jefferson, aliás, lançara

sérias dúvidas a esse respeito, ainda nos primórdios da formação do estado americano

democrático, em carta a um adversário político: "Em matéria de interpretação de assuntos

constitucionais, você me parece passar a impressão de que julga ser a Suprema Corte o árbitro

definitivo". Ainda segundo Jefferson, esse sentimento lhe parecia constituir-se em

"perigosíssima doutrina, que poderia conduzir os Estados Unidos ao despotismo de uma

oligarquia"..."Infelizmente, é precisamente isto o que vem acontecendo nos últimos trinta

anos. Nós transferimos o poder do povo para um corpo não eleito, de apenas oito homens e

uma mulher, cinco dos quais podem, efetivamente, controlar as regras da moral e o destino

44 CARLOS, Newton, in "Komeinis Americanos", publicado no Jornal do Brasil, R.J., em 26 de janeiro de 1995

Armindo Augusto de Abreu

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social da nação. E, junto com a Suprema Corte, nós colocamos no poder outra oligarquia não

eleita, na forma do Federal Reserve Board. Este não foi, seguramente, o sistema que os

autores da nossa constituição pretenderam para este país. O sistema de pesos e contrapesos

que eles vislumbraram incluía um judiciário poderoso, uma poderosa casa legislativa e um

poder executivo forte, todos equilibrados, em contrapartida, pelos poderosos direitos dos

cidadãos livres".
45 46A forma pela qual esses sagrados ideais dos fundadores da nação

americana foram suplantados no seu próprio solo e daí exportados para o resto do planeta, em

favor de uma temida oligarquia político-financeira, é o que seguiremos apreciando.

O TEMPLO DOS DOZE DINHEIROS

"O poder do dinheiro corrói a nação nos tempos de paz e conspira contra ela nas

épocas de adversidade. Ele é mais despótico do que a monarquia, mais insolente que a autocracia,

mais egoísta que a burocracia. Eu vejo, num futuro próximo, uma crise se aproximando que me

inquieta e faz temer pela segurança do meu país. As grandes corporações foram entronadas, uma

era de corrupção se instalará nos altos escalões e o poder do dinheiro, neste país, imporá à força o

seu reinado, contra o interesse do povo, até que a riqueza esteja concentrada em poucas mãos e a

república destruída".

ABRAHAN LINCOLN, no exercício da presidência dos Estado Unidos.

Em plena era do "New Deal", no ano de 1937, quando o Presidente Roosevelt

liderava o fantástico esforço de reconstrução dos Estados Unidos, povo e país devastados pela

monumental depressão que se abatera sobre a nação como praga bíblica, um belíssimo prédio

em estilo clássico, revestido de mármore branco, acabara de ser erguido em meio a uma

repousante paisagem verde, na "Constitution Avenue", próximo ao "Lincoln Memorial". De

linhas sóbrias, marcantemente caracterizadas por colunas gregas, sem excessos decorativos ou

a monumentalidade arquitetônica dos prédios públicos de Washington, estaria mais adequado

a abrigar uma organização religiosa do que a séde do maior e mais fantástico centro de poder

financeiro da face da Terra. Ante essa característica física e pela verdadeira devoção ao mais

desenfreado materialismo, ali praticado, a instituição nele abrigada ficou conhecida, por

muitos, como "O Templo". Ao cruzar suas portentosas portas de bronze, o visitante passará

sob uma imponente águia americana, também em mármore branco, ali estrategicamente

instalada para que se tenha a sensação de estar penetrando, sob a proteção de suas asas, nas

próprias entranhas da nacionalidade. Ao final do amplo corredor de entrada, chega-se ao

lobby, cujo teto foi fina e artisticamente decorado com desenhos em alto relevo,

representando, certamente não ao acaso, moedas gregas circundando a deusa Cybele, símbolo

da abundância e da estabilidade.
47 O Templo, totalmente às escâncaras, sem deixar margem a

dúvidas, revela logo na entrada suas origens e inspirações pagãs... Naquele amplo saguão,

devidamente entronados em retratos a óleo, o Federal Reserve System, apenas FED para os

íntimos, homenageia e cultua dois dos principais responsáveis pela sua criação e lucrativa

existência: o presidente Woodrow Wilson, que sancionou a lei, e o Senador Carter Glass, da

Virgínia, que patrocinou o projeto no Congresso americano, em 1913. Embora amplamente

reveladora, essa homenagem de gratidão se revela historicamente injusta, pois mantém

45 ROBERTSON, Pat in THE NEW WORLD ORDER, Dallas, Word Pub.1991, pag.59.

46 NOTA DO AUTOR: Durante a administração Clinton, do partido democrata, a composição da Suprema Corte foi modificada, devido a

aposentadorias, ganhando a presença de dois novos membros, um dos quais uma mulher, a saber: STEVEN BREYER e RUTH BADER Com

isso, aquela corte máxima passou a ser composta por sete homens e duas mulheres. Além dos já citados, os demais membros WILLIAM

REHNQUIST(atual presidente), ANTONY KENNEDY, DAVID SOUTER, SANDRA DAY O´CONNOR, JOHN PAUL STEVENS,

ANTONIN SCALIA e CLARENCE THOMAS foram todos indicados para o cargo por presidentes republicanos. Apud Jornal do Brasil, RJ,

de 1/12/2000, pág, 10.

47 GREIDER, William, in "SECRETS of the TEMPLE." Touchstone, N.York, 1987.

Armindo Augusto de Abreu

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envoltos nas sombras de profundo anonimato os mais importantes personagens da trama que

deu à luz o sistema de bancos centrais dos Estados Unidos: o Coronel Edward Mandel House,

alter ego do presidente Wilson, o Senador Nelson Aldrich, presidente da Autoridade Nacional

Monetária, e Paul Moritz Warburg, financista, representante e homem de confiança da

poderosa família de banqueiros Rothschild, ramificada pela Alemanha, França e Inglaterra, de

quem era sócio na propriedade do Reischbank. Desde que o eixo do poder econômico

começara a se mover da Inglaterra para os Estados Unidos, antes das lutas pela independência

americana, sabiam os banqueiros e negociantes europeus que só poderiam, efetivamente,

controlar a economia daquele colosso se lhe pudesse impor, como haviam feito antes à

França, Inglaterra e Alemanha, um Banco Central independente do governo e...

TOTALMENTE PRIVADO! ! ! O que na verdade eles desejavam, há muito tempo, era

constituir uma base sólida, segura, uma nova sede para os seus negócios no Novo Mundo

onde, vislumbravam, além do paraíso terrestre, o futuro do "business" mundial. Uma tentativa

feita, anos antes no Brasil, em Pernambuco, fracassara por motivos religiosos. Os soldados

holandeses, que garantiam a segurança das operações agrícolas e mercantis da Companhia das

Índias Ocidentais (ramo da multinacional que controlava, a ferro e fogo, sob bandeira

holandesa, os interesses do centro mundial dos negócios), eram calvinistas. Subitamente, de

forma inesperada para seus superiores, começaram a hostilizar os católicos brasileiros,

profanando-lhes as igrejas e os altares. O episódio deflagrou violento sentimento de revolta na

região, antes pacífica e tolerante com a presença estrangeira, e se transformou no estopim da

revolta, fazendo de Pernambuco, como sabemos, o berço da nacionalidade brasileira. Expulsa

a guarnição, os negócios fugiram atrás. Após breve passagem pela Holanda, para

reorganização, a comitiva, que incluía, entre outros, os empresários que viveram em Recife e

no interior, voltou ao mar do Novo Mundo, dessa vez um pouco mais para o norte,

desembarcando numa ilha que adquiriram, aos locais, por ninharias. Ali, fundaram a cidade de

New Amsterdam, em homenagem ao porto de origem, e reiniciaram seus afazeres, dessa vez

em paz absoluta. Posteriormente, quando seu quartel-general migrou da Holanda para a Grã

Bretanha, a "filial" americana, ajustando-se aos novos tempos, teve seu nome trocado de New

Amsterdam para... New York, assim permanecendo até hoje. O Brasil perdera, por muito

pouco, a oportunidade de ser o berço do primeiro mundo, sede do poder mundial

secreto...Enfim, os centros financeiros europeus haviam fincado, definitivamente, profundas

raízes nas terras do Novo Mundo e lá começaram a se organizar e a prosperar, sempre na

expectativa de lançar sementes para colher o maior entre os maiores instrumentos do poder e

da opulência: seu próprio banco central ultramarino. Em 1902, Paul Warburg, sócio dos

Rothschild e perito em operações de bancos centrais na Europa, viajou para os Estados

Unidos a fim de se associar à poderosa firma financeira "Kuhn, Loeb & Co". Dado que

apenas palavras empenhadas e lealdades juradas não pareciam garantias suficientes para selar

projeto de tamanha envergadura, Abraham Kuhn e Solomon Loeb, fundadores da empresa,

haviam-se casado um com a irmã do outro, tornando-se duplamente cunhados.

Posteriormente, o cabeça da empresa passara a ser Jacob Schiff, tornado sócio da firma,

instantaneamente, por casamento com Teresa, filha do senhor Loeb. Paul Warburg, então, ao

assumir sua parte na sociedade, casou-se com Nina, a outra filha de Solomon Loeb, o que o

tornara cunhado de Schiff. Jacob Schiff, aliás, numa parceria ainda muito pouco esmiuçada,

socorreria os comunistas russos com um donativo de 20 milhões de dólares em ouro,

garantindo, financeiramente, o sucesso da revolução bolchevique.
48 Esse mistério se adensa

quando vêm a lume os fatos de que Lord Milner, da British Round Tables, também foi

generoso contribuinte dos revolucionários russos, e que os banqueiros de Wall Street sempre

socorreram financeiramente os dirigentes soviéticos, quando seu regime claudicava. São

muitas as evidências de que possa ter havido, circunstancialmente ou de forma irrestrita, um

48 ROBERTSON, Pat in "The New World Order"Word Pub. New York, 1991, pág.123.

Armindo Augusto de Abreu

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pacto secreto, nunca abertamente explicitado ou admitido, entre os socialistas marxistas e os

barões da fortuna. Tudo, ao que parece, resumia-se à melhor, mais eficiente e rápida forma de

apropriação e acumulação do capital. A via de mercado, milenar, evoluía de forma lenta,

cheia de acidentes de percurso, restrições legais, muitos impostos a pagar. A comunista,

instantânea pela luta revolucionária armada, representava uma forma total e imediata de

acumulação e apropriação, bastando, apenas, assumir o férreo comando do estado capturado.

O resto, o tempo resolveria, com a criação de uma estrutura confiável de lealdades, quando,

então, seria viável e seguro devolver a economia e seus enormes custos sociais, antes

centralizados, às forças do "livre mercado". Ao que tudo indica, em se tratando de empolgar

ou acumular poder, Wall Street e seus tentáculos invisíveis nunca demonstraram

preocupações com qualquer prurido ideológico... Felix Warburg, o irmão de Paul que ficara

na Alemanha ajudando a administrar os negócios bancários da família, a Casa Warburg e o

Reischbank, viajou para a América a fim de também assumir uma participação na "Kuhn,

Loeb & Co", e acabou casando-se com Frieda, filha de Jacob Schiff. Tornou-se, como na

velha piada, sobrinho do próprio irmão...
49 Garantido o negócio, por acordos de honra e

deveres de família, Paul Warburg passou a coordenar, dos bastidores, o desenrolar da

fantástica operação de montagem de um banco central privado para os Estados Unidos, ao

juntar as forças desse grupo com os Rockefeller e os Morgan... A constituição americana dá

ao seu congresso o poder de "cunhar moeda, regular o seu valor e o valor de moedas

estrangeiras" proibindo que os estados façam com que "qualquer coisa, exceto moedas de

ouro e prata, sirva de meio legal para o pagamento de dívidas". Exercitando esse poder, e

atendendo a uma recomendação de Alexander Hamilton, o congresso aprovou, em 2 de abril

de 1792, uma lei de cunhagem, definindo a moeda americana como sendo o "dólar". Ele teria

moedas divisionárias em bases decimais, sendo estipulados seus pesos em ouro e prata, e

autorizada a livre cunhagem, aberta a todos e isenta de ônus. A recomendação de Hamilton

agradara aos bancos, que logo foram liberados para cunhar seu próprio dinheiro. Entretanto, à

falta de uma autoridade central coordenadora, cada banco operava apenas segundo seus

próprios interesses, tornando o sistema caótico. Isso levara o país a registrar, no primeiro terço

do século XIX, cerca de 12.000 tipos de moedas em circulação, nacionais e estrangeiras, das

quais, perto de 5.000, eram totalmente fraudulentas ou falsas. A primeira tentativa de se criar

uma verdadeira moeda única nacional, durante a guerra civil, fracassara. O dinheiro da União,

conhecido como "Greenbacks" (costas verdes), por pressão dos bancos sobre o congresso,

temerosos de perder os privilégios da emissão própria, tivera circulação restrita, não podendo

ser usado no pagamento de taxas e impostos. Ao final da guerra civil, tinha perdido cerca de

70 % do poder liberatório inicial, sendo repudiado pela população. Em 1907, ocorreu mais

uma severa crise. Com os bancos fechados e as pessoas sem dinheiro, trabalhadores

desempregados perambulando pelas ruas, o pânico se instaurou. Desta vez, a crise parecia ter

nome certo: os Morgan foram responsabilizados, de tal forma, pela convulsão nacional, que o

congresso criou, em 1908, uma "Autoridade Monetária Nacional", administrada pelo senador

Nelson Aldrich, de Rhode Island, visando a uma solução definitiva, que afugentasse situações

críticas para sempre, ao que se supunha, ministradas intencionalmente pelos banqueiros. Essa

decisão federal era tudo que eles queriam.
50 Chegara a hora de conquistarem seu banco central

privado. Aldrich era ligadíssimo aos Rockefeller, tanto que sua filha se casara com John

Davison II e um dos filhos do casal recebera, na pia batismal, o nome de Nelson Aldrich

Rockefeller, em homenagem ao avô. Em 1910, um grupo de trabalho, formado por Aldrich,

A. Andrews (vice-secretário do Tesouro), Frank Vanderlip (presidente do National City

Bank/New York, dos Rockefeller), H. Davison (sócio sênior do J.P. Morgan), Charles Norton

(presidente do First National Bank of New York, dos Morgan), Benjamin Strong (outro

49 SACHAR, Howard M. in "A History of the Jews in America." Vintage Books, Ramdom House, New York,1993, pág. 92.

50 ROBERTSON, Pat. ibiden, pág. 124.

Armindo Augusto de Abreu

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preposto da família Morgan) e Paul Warburg deixou a cidade de Hoboken, New Jersey, num

trem fechado, e dirigiu-se à ilha de Jekill, na Geórgia, hospedando-se num paraíso de caça

pertencente à família Morgan. O encontro foi tão secreto que ninguém podia ser chamado

pelo próprio nome e novos empregados, desconhecidos de todos os presentes, foram

contratados para servi-los, sem saber a quem. Frank Vanderlip, presente à reunião, assim a

descreveu, muitos anos mais tarde (1935), no The Saturday Evening Post: "Houve uma

ocasião, em 1910, em que eu agi tão secretamente, de forma tão furtiva, como qualquer

conspirador... pois teria sido fatal para os planos do senador Aldrich se alguém soubesse que

ele estava convocando pessoas de Wall Street para ajudá-lo a preparar seu projeto de lei...

Penso que não há nenhum exagero em me referir a nossa expedição à Ilha de Jekill, como a

ocasião em que foi feita a concepção real daquilo que, eventualmente, veio a ser conhecido

como o Federal Reserve System". Em Jekill, Warburg assumiu a função de relator do projeto

que, por ter-se baseado na organização do Reichbank (o banco central alemão), cujos

acionistas majoritários eram as famílias Rothschild e Warburg, viria a refletir, integralmente,

a vontade dos banqueiros. O plano era muito simples. O novo banco central não podia ser

assim denominado porque o povo americano não o desejava. Por isso, ele teria que receber

um nome enganoso, onde não constassem as palavras banco nem central. E, o mais importante

de tudo, ele teria de se assemelhar com uma agência oficial do governo americano. Em

conseqüência, ficou acertado que o banco deveria parecer controlado pelo congresso, mas a

maioria do seu corpo diretor seria eleita pelos bancos privados, donos integrais de suas ações.

Evitando a percepção pública de que o FED seria administrado a partir de Wall Street (New

York), foi criado um sistema múltiplo, de doze bancos centrais, designados por números de

um a doze e por letras maiúsculas de A até L, tendo cada um deles limites bem definidos de

atuação regional, com sedes nas cidades e estados constantes dos respectivos nomes. Esses

doze bancos são: 1-Federal Reserve Bank of Boston/Massachussets (A); 2-Federal Reserve

Bank of NewYork/NewYork (B); 3-Federal Reserve Bank of Philadelphia/Pennsilvania (C);

4-Federal Reserve Bank of Cleveland/Ohio (D); 5-Federal Reserve Bank of

Richmond/Virginia (E); 6-Federal Reserve Bank of Atlanta/Georgia (F); 7-Federal Reserve

Bank of Chicago/Illinois (G); 8-Federal Reserve Bank of St. Louis/Missouri (H); 9-Federal

Reserve Bank of Minneapolis/Minnesota (I); 10-Federal Reserve Bank of

KansasCity/Missouri (J); 11-Federal Reserve Bank of Dallas/Texas (K) e 12-Federal Reserve

Bank of San Francisco/California (L). Apesar de possuírem diretorias individuais, respondem

a um comando central, cujo poder emana de New York, constituindo-se num cartel

denominado "Federal Reserve System. Esse grupo empresarial privado, como acertado no

plano secreto de Warburg, Aldrich e do Cel. House mantém as aparências de submissão ao

congresso americano nas suas relações com a área federal, assumindo a forma de uma

"agência reguladora", sob o nome de "Federal Reserve Board". A junta de governadores desse

Board deveria ser escolhida pelo presidente dos Estados Unidos, entre diretores indicados

pelo FED e pessoas da confiança do governo, mas, nas palavras do Cel. House, ..."O Board

exercerá seu mandato de forma a se manter longe do alcance de qualquer poder do

presidente". Isso é tão verdadeiro que, desde a sua criação, até o dia de hoje, o Fed nunca

sofreu uma auditoria, sequer, do governo americano. Confirmando a previsão do Cel. House,

os primeiros cargos no Fed foram logo preenchidos pelos que engendraram sua criação.

Benjamin Strong, do grupo Morgan, tornou-se o primeiro governador do Federal Reserve

Bank de Nova York, carro chefe do sistema. O primeiro governador do Federal Board (a

agência reguladora federal) foi o próprio Paul Warburg, logo depois presidente do Federal

Reserve System (o cartel privado, de propriedade dos demais bancos). Os doze bancos

centrais privados do sistema, mantendo as tradições do passado, quando cada banco particular

imprimia sua moeda, assumiram essa concessão pública terceirizada, apesar de proibida pela

constituição, passando também a emitir, cada um deles, seu próprio dinheiro individual. Há,

Armindo Augusto de Abreu

29

portanto, no mercado, doze dólares diferentes, embora de aspecto (desenho e cores)
padronizado, e com a mesma denominação legal. As diferenças entre essas moedas existem
claramente, e resumem-se aos selos contendo as letras identificadoras e os nomes dos bancos
a que pertencem. Ambos estão inseridos numa coroa circular, à esquerda da efígie
presidencial. Os números correspondentes a cada banco vêm indicados nos cantos interiores
das notas, junto aos valores expressos em algarismos. Hoje, com a globalização e a
dolarização de alguns países, que cedem sua soberania, não a outra potência, mas a um
sistema bancário privado e internacionalista, o FED está mudando a aparência dos seus doze
dinheiros, unificando suas estampas de molde a fazê-los parecer um só. Nas notas da nova
emissão, onde as efígies presidenciais aparecem em formato ampliado, foi suprimido o selo
circular contendo o nome de cada banco e sua letra correspondente. Agora, aparece apenas
uma logomarca, também circular, do Federal Reserve System. É o novo "dólar tipo
exportação", de uso geral, mas particularmente dedicado a países como o Panamá, o Equador
e outros na fila de espera que, abandonando a "prata da casa", adotaram-no como moeda
corrente...Caso o prezado leitor seja do tipo curioso, observador, olhe atentamente para as
notas do novo dólar e perceba que na numeração delas ainda é possível distinguir as letras
(A/L) e os números (1/12) aqui descritos, só que em tamanho muito reduzido. Quando for
viajar divirta-se, identificando quais, entre os doze dinheiros, você levará em seu bolso, pois,
apesar de escondido, o gato continua com o rabo de fora... O Federal Reserve tornou-se uma
força–chave na economia mundial, fazendo com que todos os mercados financeiros do mundo
prestem a máxima atenção quando ele se manifesta. O mais rico país do mundo, os Estados
Unidos, possui, paradoxalmente, a maior dívida do planeta, que pode já haver ultrapassado a
cifra de seis trilhões de dólares! ! ! A quem deve o povo dos Estados Unidos essa monumental
fortuna? ? ? Claro, aos maiores financiadores da América, isto é, ao Federal Reserve Bank e
aos seus afortunados acionistas privados, que acumulam o mais fantástico tesouro da
humanidade: o moto perpétuo de fabricar dinheiro, objeto do desejo da humanidade
consumista, a partir de brisa, papel e tinta! ! !
51 Mas a maior lufada da fortuna, que beneficiou

ainda mais esse grupo de poderosos felizardos, foi o histórico fato ocorrido em agosto de

1971, quando caiu por terra o acordo de Bretton Woods, regulador do sistema financeiro

internacional. Ali, Richard Nixon "fechou para sempre o guichê do ouro", tornando letra

morta a obrigação assumida pelos Estados Unidos de converter ao metal, no preço fixo de

US$ 35,00/onça, os dólares amealhados pelos governos estrangeiros. Estava definitivamente

quebrado o padrão metálico em todo o mundo e o FED deixava de se obrigar, por uma

simples canetada presidencial e, mais uma vez, contrariando a constituição americana, a

emitir o dinheiro com lastro em espécie, ouro ou prata! "Antes de 1971, toda moeda

importante, desde tempos imemoriais, estivera vinculada direta ou indiretamente a uma

mercadoria. Ocorriam afastamentos ocasionais de um vínculo fixo, mas só em épocas de

crise. Como resultado, esperava-se que tais episódios fossem temporários, e de fato o foram.

Mas o vínculo foi-se enfraquecendo, cada vez mais, até ser eliminado, de todo, pelo ato do

presidente Nixon. Desde então, nenhuma outra moeda importante teve qualquer vínculo com

uma mercadoria".
52 Apesar da famosa advertência de Irving Fisher, escrita em 1911, de que

"o papel moeda inconversível quase invariavelmente revelou-se uma maldição para o país que

a adotou", os Estados Unidos, melhor dizendo, os bancos privados que constituem o Federal

Reserve System, desobrigaram-se, prazerosamente, dessa tremenda e onerosa

responsabilidade. O dólar, para o bem ou para o mal, passou a valer, em essência, além do

papel e da tinta de sua impressão, aquilo que a enorme e magistral propaganda faz com que as

pessoas acreditem que ele possa valer. Estava, assim, inaugurada a era do "castelo de cartas"

em que se transformou o sistema financeiro internacional. Enquanto o mundo, preocupado

51 ROBERTSON, Pat. In "The New World Order".

52 FRIEDMAN, Milton em "Episódios da História Monetária" Rio de Janeiro: Record, 1994, pág. 27.

Armindo Augusto de Abreu

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ante a gravidade do fato, permanecia em vigília insone, os dirigentes e acionistas do Fed

celebravam, felizes, às gargalhadas. Nunca tantas rolhas dos mais finos champanhes franceses

espocaram, simultaneamente, na calada de uma noite tão longa e silenciosa. "Quando se

menciona o nome do Federal Reserve, a atenção é garantida", escreveu Kim Clark do U.S.

News & World Report, "uma vez que a mínima alteração nas taxas de juros pode derrubar

mercados e criar ou destruir milhões de empregos". Mas, o maior segredo do FED é saber

quem o controla e com que finalidade."Usar um banco central para criar períodos alternados

de inflação e deflação e depois explorar o povo para obter enormes lucros, é uma atividade

que os banqueiros internacionais aperfeiçoaram como uma ciência exata".
53 "Algumas vozes

importantes se levantaram, à época, contra a criação do FED. Talvez a mais incisiva tenha

sido a do congressista Lindbergh, pai do famoso ás da aviação, que em 1913 declarou:..."O

Federal Reserve estabelece o mais gigantesco trust da face da terra" ..."Quando o presidente

assinar esse ato, o governo invisível, do poder do dinheiro, será finalmente legitimado. Então,

a nova lei vai criar inflação quando os trusts quiserem inflação. Daqui por diante, as

depressões serão criadas cientificamente."
54 Mas, a quem pertence, finalmente, o poder de

todos os poderes, isto é, o Federal Reserve System ? ? ? A resposta já pode ser conhecida. Ele

é propriedade de seus doze membros, bancos pertencentes a acionistas privados. "Um exame

dos maiores acionistas dos principais bancos de Nova York, mostra, claramente, que umas

poucas famílias, relacionadas pelo sangue, casamentos ou interesses comuns, controlam todos

os bancos daquela cidade que, por sua vez, possuem o controle acionário do Federal Reserve

Bank de Nova York, controlador dos demais bancos do sistema. Entre essas famílias estão os

Rothschild, Morgan, Rockefeller, Warburg e outras.
55 Os 19.752.655 de ações do Federal

Reserve Bank de N. York são, majoritariamente, controladas por dois bancos: 6.389.445

ações (32,35%) pertencem ao Chase Manhattan Bank (agora fundido ao Chemical Bank) e

4.051.851 ações (20,51%) ao Citibank, N.A., perfazendo 10.441.295 ações (52,86%), isto é,

controle total e absoluto! ! !

É TARDE, EU JÁ VOU INDO...

Um intrincado conjunto de fenômenos políticos, econômicos, sociais, científicos,

tecnológicos e militares, têm sido, há muitos anos, ocultados ou cuidadosamente apresentados

à opinião pública de forma destorcida, tendenciosa, como se fossem conquistas inexoráveis,

incontestáveis frutos da genialidade alcançada pela civilização contemporânea, para o bem de

toda a humanidade. A elas, segundo seus mentores, deveríamos, portanto, reverenciar e

cultuar, contritos, agradecidos, sem qualquer contestação. Expressões e conceitos como

"Nova Ordem Mundial", "Globalização", "Livre Comércio", "Mercados Globais",

"Liberdade", "Democracia", "Modernidade", "Reformas", "Cidadania", "Tendência

Mundial", "Investidores Internacionais", divulgadas por órgãos oficiais de comunicação e

pelas diversas mídias privadas, como pilares dessa "nova e moderna" organização planetária,

acobertam, engenhosamente, brutal concentração de poder e riquezas, beneficiando

privilegiada minoria oligárquica, em detrimento do homem comum. O mundo, como visto, é

governado por uma autocracia oculta, através de um sistema gerencial de altíssima lealdade

aos seus princípios e objetivos, que opera em seu favor sob o manto do interesse público, da

democracia e da liberdade. É lobo em pele de cordeiro. O homem do povo, tratado como

53 ALLEN, Garry, pesquisador e escritor.

54 Muito embora, nada leve a provar qualquer relação entre o duro combate movido pelo senador Lindbergh aos defensores da criação do

FED e a desgraça familiar que lhe ocorreu, trazendo revolta e consternação mundial, cabe lembrar que o neto do senador, filho do ás da

aviação Charles Lindbergh, foi seqüestrado em seu berço e morto, apesar da família ter pagado o seu resgate. N.A.

55 MULLINS, Eustace in "The Secrets of the Federal Reserve", N.Y., 1983.

Armindo Augusto de Abreu

31

massa de manobra, joão-teimoso da mentira, da propaganda, das jogadas e armações políticas,
continua, ingenuamente, a dar legitimidade ao sistema, pelo voto, que imagina exercer de

forma livre e democrática. A toda e qualquer tentativa de reação ao embuste, os leões de

chácara do poder reagem, com a truculência e a arrogância dos que só parecem possuir

certezas. Afinal, ganham para isso. Desse combate desigual, sem ética ou compaixão, surgem

os ataques da moda, quando os que procuram iluminar caminhos são tratados como

"obscurantistas", "conservadores", "atrasados", "medievais", "dinossauros", "terroristas",

"retrógrados", "reacionários", "vanguardeiros do atraso", "arautos do caos", "catastrofistas",

viúvas da ditadura ou, simplesmente, "paranóicos". Às verdades que procuram revelar, se lhes

dão o tratamento de "teorias conspiratórias". À motivação dos que não lhes têm concedido

sereníssima trégua, designam como "paranóia conspiratória", imaginando, inutilmente,

remetê-los ao limbo entre a burrice e a loucura... A todos os leitores de mentes sãs, que já

perceberam, na epiderme ou na alma, os incômodos desse patrulhamento persecutório, e a

quem o direito à verdade tem sido, sistematicamente, negado, dedicamos este texto, com a

recompensadora certeza de que, apesar da odiosa opressão e dos ataques virulentos, nunca

estiveram, nem estarão, inteiramente sós e desprotegidos.

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‎"O que mata as pessoas é a ambição. E também esta tendência para a sociedade de consumo. Quando vejo publicidade na televisão, digo a mim mesmo: podem me apresentar isto anos a fio que nunca comprarei nada daquilo que mostram. Nunca desejei um belo automóvel. Nunca desejei outra coisa senão ser eu próprio. Posso caminhar na rua com as mãos nos bolsos e sinto-me um príncipe."
Albert Cossery
 

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