quinta-feira, outubro 02, 2008

Neal Cassady

Um herói do oeste selvagem - Beat Page

Neal Cassady é o herói insano que inspirou Kerouac a criar On the Road - pé na estrada. Aparece no livro como Dean Moriarty, o catalizador da aventura louca pelas estradas da América.

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Filho de "um dos bêbados mais trôpegos de Larrimer Street" de Denver, Neal passou a infância em becos imundos, esmolando nas esquinas das grandes avenidas e entregando a grana para o pai, que jazia atirado entre garrafas estilhaçadas, cobertores em farrapos em ruas estreitas sem saída na parte baixa do centro de Denver. Aos seis anos, depôs no tribunal para livrar o velho do xadrez. Segundo Kerouac,Neal "era o cara perfeito para a estrada, já que nasceu na estrada quando seus pais estavam passando por Salt Lake City, 1926, num calhambeque caindo aos pedaços."

Em 1943, depois de fugir de vários reformatórios essa "nova espécie de Santo Americano" fez sua primeira grande viagem. E nas páginas de On the Road ele conta tudo: "Eu trabalhava na lavanderia Nova Era, em Los Angeles, aí falsifiquei meus papéis e fui até o autódromo de Indiana, que ficava a uns três mil quilômetros, com a determinação expressa de assistir à clássica corrida de Memorial Dar, pedindo carona de dia e roubando carros à noite pra ganhar tempo." E depois: "'No outono seguinte, aos 17 anos, refiz o mesmo percurso para assistir o jogo entre Notre Dame e Califórnia em South Bend, Indiana e tinha apenas a grana para a entrada, nem um centavo a mais e não comi absolutamente nada na ida e na volta, a não ser o pouco que consegui mendigar de todos os tipos malucos com os quais ia cruzando pela estrada, e das putas também. Fui o único sujeito em todos os Estados Unidos da América que se sujeitou a tamanhas dificuldades somente para assistir um jogo de baseball."

Mais tarde, Neal pôde percorrer com mais conforto (mas não menos demência) as estradas da América: conseguiu comprar alguns carros, como o lendário e flamante Hudson 49 de uma das viagens de On the Road, ou o Cadillac que ele e Jack deveriam levar de Denver a Chicago (e realmente levaram só que o reduziram a escombros -"mais parecia uma bota enlameada do que uma limousine flamejante; pagara o preço da noite"), ou o velho Ford modelo 1937 com as portas amarradas por uma corda, no qual ambos viajaram para o México na primavera de 1950.

Maior motorista de todos os tempos ("Cody, como qualquer outro motorista que dirigia por aquelas estradas cheias de buracos e tremendamente perigosas, apoiava o cotovelo na janela e, mais do que ninguém dava a impressão de sentir-se particularmente calmo, tranquilo e à vontade atrás do volante, com seu pescoço grosso, musculoso, erguido e eficiente - como são os pescoços dos grandes motoristas de ônibus - e era assim que eu o via enquanto olhava por cima de seu ombro para a estrada que à noite mostra apenas uma pequena parte de si mesma", escreveu Kerouac no sublime Visions of Cody sendo que Cody Pomeroy, é, claro, Neal Cassady e o livro, a obra suprema da prosa "espontânea" de Jack). Neal continuou na estrada mesmo depois que Kerouac careteou de vez .

http://www.tomchristopher.com/home/Beat%20Generation/Neal%20Cassady%20Biography/images/covers.jpg

Tornou-se chofer do ônibus mais alucinado de todos os tempos: o ônibus pintado com a bandeira dos Estados Unidos no qual viajavam o escritor Ken (Um Estranho no Ninho) Kensey e seus Merry Pranksters, além do conjunto Greatful Dead, dando concertos gratuitos e promovendo coloridíssimos happeanings, nos quais aproveitavam para distribuir ácido para todos os participantes, graciosamente. A insólita experiência (fulminada pelo já baixo astral Ronald Reagan, então governador da Califórnia) foi narrada por Tom Wolfe, num livro antológico, The Electric Koll-Aid Acid Test. ( "O teste do ácido do refresco elétrico", Editora Objetiva, 1990)


No dia 4 de fevereiro de 1968, pouco antes de completar 42 anos, Neal Cassady foi encontrado estendido à beira dos trilhos de trem, no deserto mexicano. Misturara (propositadamente?) uma dose descomunal de álcool e anfetaminas. Quando o encontraram, "era puro espírito já".



1 trocaram ideia:

Anonymous

que vagabundo encantador!

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‎"O que mata as pessoas é a ambição. E também esta tendência para a sociedade de consumo. Quando vejo publicidade na televisão, digo a mim mesmo: podem me apresentar isto anos a fio que nunca comprarei nada daquilo que mostram. Nunca desejei um belo automóvel. Nunca desejei outra coisa senão ser eu próprio. Posso caminhar na rua com as mãos nos bolsos e sinto-me um príncipe."
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