
O velho e esquecido Poseidon
Seca os pés na terra de lobisomens
Foi expulso do mar por santos
E extinto da crença dos homens.
Pois das ruínas da criativa Grécia
Brotou o plágio da mitologia.
Não se entristeça bela Alcmena
Mas o nome da mãe agora é Maria.
Os deuses caíram por terra!
No sórdido nascimento do pecado
Onde o homem pariu o seu criador
E o cuspiu num livro sagrado.
Não adianta gritar, Hades,
Jogar na humanidade o amargo fel
O diabo surrupiou o seu trono
Quando Zeus perdeu o “céu”.
E se até os deuses
tão poderosos, caem por terra
como mosquitos sem asas
que a areia do tempo enterra,
O que será de nós?
O que somos nós?
Somos partículas no universo
que os furacões varrem de repente,
Como nós varremos as baratas
com ar onipotente.
Somos reles e soberbos nadas
largados à própria sorte.
Somos a mera finitude da existência
temendo a própria morte.
E não adianta criar mitos por medo
Porque o fim, sempre chegará...
Então não chorem por Poseidon,
Pois o pranto não há de virar mar.
vejo nascer outras vozes,
gritos ferozes e pagãos,
contrárias ao passado,
um futuro de homens sãos.
Zeus ficará muito zangado
sem sua cadeira de ouro;
e Poseidon, tão magoado,
ficará sem mar e sem touro.
a pobre e bela Afrodite
terá, na beleza, o escuro.
sua nudez será grafitada
no muro branco dos puros...
as doze casas serão invadidas
e os signos todos redesenhados:
uma cruz e uma virgem perdida,
mil defeitos dum livro sagrado...
sendo então Hades o Deus,
darei aos deuses meu adeus
e no templo-espaço do adeus,
não terei mais deuses meus.
e o mundo todo terá um deus,
um deus que ninguém vai ver
(porque não passará na tevê)...
e o deus de Deus serei eu.
[Punkita]
&
Caíto














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