quinta-feira, setembro 06, 2012

formigas flutuam nos rios do inferno



Havia um formigueiro na porta de madeira oca do banheiro daquela casa em Rondônia. Clarice dizia que as formigas comiam os cupins ou mesmo a própria madeira velha, e insistia que a porta era, no máximo, um refúgio seguro para elas fora do formigueiro. Marcos tinha certeza que havia uma rainha no centro daquela porta, à altura do seu umbigo, e que esse era o motivo pelo qual eles não conseguiram exterminá-las desde o princípio: a rainha sempre punha mais ovos e criava mais operárias. As formigas tomaram conta não só da porta do banheiro como também de todo o forro do teto da casa. Marcos as adorava. Para ele, elas já faziam parte da matéria que constituía a porta, o teto e as paredes e sem elas preenchendo os túneis que criaram, a casa ficaria menos sólida. Ele também gostava dos caminhos que elas faziam nas paredes sem azulejos do banheiro e como elas nunca atacaram a dispensa ou morderam os donos da casa, Clarice se acostumou com elas sem problemas.

Clarice saiu do chuveiro e foi para o quarto, nua, sem toalhas, gotas de água fria pingando por todo chão atrás dela, deslizando pelo seu corpo, escorrendo dos cabelos negros e longos até os pés leves no chão vermelhão. Marcos estava sentado à escrivaninha, trabalhando em um conto, e não percebeu quando sua mulher entrou pela porta e só a notou quando ela o girou na cadeira e sentou no seu colo, enlaçando-o com as pernas. Sua pele estava gelada, mas sua boca estava fervendo e quando ela o beijou, o choque o acendeu rápido, o que a fez sentir mais desejo do que antes, sentindo a vontade do seu marido roçando sua boceta nua. Ela beijou seu pescoço e desceu do colo do marido, indo deitar-se na cama olhando para ele e sorrindo como se tivesse se banhado no Letes¹ e esquecido todos os seus problemas. Marcos nunca vira Clarice de Bervian tão linda como naquele momento e seja lá o que ele estivesse escrevendo evaporou na meia luz do quarto. Ele se livrou das roupas gastas que usava em casa e se pôs sobre ela na cama, lambendo a água do seu corpo todo, deixando apenas o longo cabelo dela encharcando o travesseiro grande. Ele secou todo o corpo de Clarice com os lábios e ela agora estava molhada como nunca e mesmo sabendo que não podia enxugar seu desejo ele se pôs a tentar, enquanto alisava suas coxas grossas e limpas.

Inspirando ar novo pelo nariz, Clarice sorriu mais contentamento que malícia para seu marido entre suas pernas e acenou com a cabeça, fechando os olhos, pedindo silenciosamente um abraço completo. Querendo todo o seu homem sobre si, junto de si. Sentindo seu calor lutando com o dele e perdendo sempre. Sentindo a pele do seu amor aquecendo seu corpo entregue. E não havia mundo quando ela o sentia assim. Só havia o coração forte do seu homem, que ela queria que batesse dentro de si, apertando seu peito contra o dele, cravando as unhas em suas costas largas.

Para Marcos aquele momento era o filtro pelo qual sua mente tinha que passar para que não adoecesse. Todo seu complexo, sua preocupação, seu marasmo, se afogava no carinho de Clarice e se algum dilema sobrevivesse e viesse a tona novamente, estaria um tanto enfraquecido. E mesmo que ainda formulasse essa idéia no escuro, enquanto Clarice dormia no seu peito, o cobrindo de fios negros ondulados, ele refletia sorrindo, sentindo a paz do primeiro Buda.

Uma formiga mordeu o pé trêmulo de Marcos no meio da noite, mas este nem a notou, aninhado que estava ao corpo da sua inspiração sobre os panos úmidos da cama.

                                                                                                                                                                             
1. Letes: rio dos infernos cujas águas davam àqueles que a bebiam o esquecimento (em grego lethe) e a despreocupação.

2 trocaram ideia:

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‎"O que mata as pessoas é a ambição. E também esta tendência para a sociedade de consumo. Quando vejo publicidade na televisão, digo a mim mesmo: podem me apresentar isto anos a fio que nunca comprarei nada daquilo que mostram. Nunca desejei um belo automóvel. Nunca desejei outra coisa senão ser eu próprio. Posso caminhar na rua com as mãos nos bolsos e sinto-me um príncipe."
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