quinta-feira, julho 22, 2010

Zoroastrismo

http://www.digestivocultural.com/upload/arcano9/07pequenaesquerda1.jpgO zoroastrismo, também chamado de masdeísmo, matismo ou parsismo, é uma religião monoteísta fundada na antiga Pérsia pelo profeta Zaratustra, a quem os gregos chamavam de Zoroastro. É considerada como a primeira manifestação de um monoteísmo ético.



De acordo com os historiadores da religião, algumas das suas concepções religiosas, como a crença no paraíso, na ressurreição, no juízo final e na vinda de um messias, viriam a influenciar o judaísmo, o cristianismo e o islamismo.
Tem seus fundamentos fixados no Avesta e admite a existência de duas divindades (dualismo), representando o Bem (Aúra-Masda) e o Mal (Arimã), de cuja luta venceria o Bem.
O ensinamento de Zarathustra é essencialmente otimista, já que segundo ele é mais fácil percorrer o caminho do Bem que o do Mal. Seus seguidores deveriam ser tolerantes para com todas as religiões. No século VII A.C., quando "Ciro o grande" fundou o Império Persa, o zoroastrismo se tornou a religião oficial do Estado, passando a ser praticado na Grécia, Egito e norte da Índia. Depois da morte de Zarathustra a religião continuou a ser (ainda mais) difundida.

Acredita-se que possa ter influenciado a religião dos hebreus quando exilados no Egito, com a presença de novos entendimentos sobre temas como: anjos, livre-arbítrio, a bondade essencial contida no mundo e etc.

Os seguidores do zoroastrismo que seguiram para a Índia ficaram conhecidos como "parses" ou "pars" (derivação da palavra indiana 'persas'). Para os parses, a limpeza é algo muito importante, é preciso que o adepto se banhe antes de qualquer cerimônia ou culto. Eles usam um manto chamado "kushti", que contêm cordões que representam os capítulos da Yasna. Os devotos usam um "sadre" (uma espécie de camisa que os diferencia das demais religiões da Índia) e os sacerdotes usam túnicas e turbantes brancos.

Com o colapso do império aquemênida, o Zoroastrismo desapareceu como religião organizada, até que voltou a ser religião do Estado no Segundo Império – o sassânida. Entretanto, quando este foi destruído, o zoroastrismo igualmente foi derrotado pelas forças de uma outra nova religião; o islamismo.

A partir do momento em que deixou de ser religião oficial, o zoroastrismo entrou numa decadência rápida e irreversível. Em todas as fases, porém, manteve uma característica básica: uma religião de livre-arbítrio na qual o homem é julgado de acordo com a natureza dos seus pensamentos, palavras e atos; com a recompensa pós-morte - para os bons o Paraíso, a "Melhor Existência", e para os maus o Inferno, a "Existência Infernal", também denominada como “Morada da Mentira”. Na primeira, facilidades e benefícios. Na outra, desconforto e tormentos, escuridão e gritos de dor.

De papel fundamental nos conceitos religiosos apresentados por Zarathustra foram os "Amesha Spentas" ('Imortais Sagrados'), que podem ser descritos como emanações ou aspectos de Ahura Mazda. Nos Gathas, os Amesha Spentas são apresentados de uma forma bastante abstrata; séculos depois eles seriam transformados e elevados ao estatuto de divindades. Cada Amesha Spenta foi associado a um aspecto da criação divina.

Os Amesha Spentas:

"Vohu Manah" ('Bom Pensamento'): os animais;
"Asha Vahishta" ('Verdade Perfeita'): o fogo;
"Spenta Ameraiti" - ('Devoção Benfeitora'): a terra;
"Khashathra Vairya" - ('Governo Desejável'): o céu e os metais;
"Hauravatat" ('Plenitude'): a água;
"Ameretat" ('Imortalidade'): as plantas.


Zoroastrismo hoje

Substituído pelo islamismo, o zoroastrismo reduziu-se basicamente a pequenos grupos no Irã e na Índia. Portanto, a comunidade zoroastriana existente no mundo contemporâneo pode ser dividida em dois grandes grupos: os parses e os zoroastrianos iranianos. Mas além destes existem também ocidentais convertidos à religião. Segundo estimativas do ano de 2004, o número de zoroastrianos era de 124 mil pessoas.

Na Índia os Parses são reconhecidos pelas suas contribuições à sociedade no domínio econômico, educativo e caritativo. Muitos vivem em Mumbai (Bombaim) e têm tendência para praticar a endogamia (sistema social no qual os casamentos ocorrem entre membros de um mesmo grupo), desencorajando as mudanças de religião. Vêem a sua fé como étnica.

Em geral os zoroastrianos iranianos mostram-se mais abertos a aceitar conversões. Concentram-se nas cidades de Teeran, Yazd e Kerman. Falam uma variante da língua persa, o dari (diferente do dari falado no Afeganistão). Receberam o nome de "gabars", termo que era usado inicialmente com conotações pejorativas (‘infiel’), mas que com o tempo perdeu muito da sua carga negativa.

Diásporas zoroastrianas podem ser encontradas em países como Reino Unido, Canadá, Estados Unidos, Austrália e países do Golfo Pérsico.

Atualmente os zoroastrianos dividem-se entre o dualismo ético e o dualismo cosmológico, existindo também os que aceitam os dois conceitos. Os que acreditam literalmente que Ahura Mazda tem um inimigo chamado Ahriman (ou Angra Mainyu), responsável pela doença, pelos desastres naturais, pela morte e por tudo quanto é negativo, não o vêem como um deus. Ele é antes uma energia negativa que se opõe à energia positiva de Ahura Mazda, tentando destruir tudo o que de bom foi feito por ele (a energia positiva de Deus é chamada de 'Spenta Mainyu'). No final, Ahriman será destruído e o bem triunfará. Outros zoroastrianos entendem o dualismo como ocorrendo no plano interno de cada pessoa, a escolha que cada um deve fazer entre o Bem e o Mal.

Sacerdócio - Existem três graus de sacerdócio no zoroastrismo contemporâneo, que tende a ser hereditário, embora não seja obrigatório que o filho de um sacerdote venha a seguir a profissão do pai.

Os sacerdotes de grau inferior recebem o nome de “ervad”. Para aceder a este grau inicial é preciso conhecer de cor as escrituras do zoroastrismo, bem como a lei. O ervad desempenha apenas uma função de assistente nas cerimônias mais importantes da religião. Acima deste encontra-se o “mobed”, e por sua vez, acima deste o “dastur”; responsável pela administração de um ou vários templos (o cargo de dastur pode ser comparado ao do bispo cristão).

Locais de culto - Os templos religiosos do zoroastrismo, onde se desenrolam as cerimónias e são celebrados os festivais da religião, são conhecidos como "Templos de Fogo".

Estes edifícios possuem duas partes principais. A mais importante é a câmara onde se conserva o fogo sagrado, que arde numa pira colocada sobre uma plataforma de pedra. Os sacerdotes zoroastrianos visitam o fogo cinco vezes por dia e procuram mantê-lo acesso, fazendo oferendas de sândalo purificado. Recitam também orações perante o fogo com a boca tapada por um tecido, de modo a não contaminarem o fogo. Este respeito pelo fogo sagrado levou a que os zoroastrianos fossem chamados de "adoradores de fogo" - o que constitui um erro, já que o fogo não é adorado em si, mas como um símbolo da sabedoria e da luz de Ahura Mazda. Os templos de fogo mais importantes do Irã e da Índia mantêm uma chama de fogo sagrado a arder perpetuamente.

Rituais - O zoroastrismo não determina que os membros devam realizar um número obrigatório de orações por dia. Os zoroastrianos podem decidir quando e onde desejam orar. A maioria dos zoroastrianos reza várias vezes por dia, invocando a grandeza de Ahura Mazda. As orações são feitas perante uma chama de fogo.

O “Navjote” (ou ‘Sedreh-Pushi’ para os zoroastrianos do Irã) é uma cerimônia de iniciação obrigatória, destinada às crianças, que deve acontecer entre os sete e os quinze anos de idade. Antes da cerimônia começar a criança toma uma banho ritual de purificação (‘Naahn’). Depois é conduzida pelo mobed, na presença familiares e amigos, a receber o “sudreh” (ou ‘sedra’, uma veste branca de algodão) e o “kusti” (um cordão feito de lã) que ata na sua cintura. A partir deste momento o zoroastriano deve usar sempre o sudreh e o kusti.

O casamento zoroastriano implica dois momentos distintos. No primeiro os noivos e os seus padrinhos assinam o contrato de casamento. Segue-se a cerimônia propriamente dita, durante a qual as mulheres da família colocam sobre a cabeça dos noivos um lenço, e simultaneamente dois cones de açúcar são esfregados um contra o outro. O lenço é então cozido, simbolizando a união do casal. As festas do casamento podem prolongar-se entre três e sete dias.

Práticas funerárias - Os zoroastrianos acreditam que o corpo humano é puro e não algo que deve ser rejeitado. Mas quando uma pessoa morre e o seu espírito deixa o corpo, num prazo de três dias o seu cadáver torna-se impuro. E uma vez que a natureza é uma criação divina marcada pela pureza, não se deve poluí-la com um cadáver. Assim, os cadáveres dos zoroastrianos, tradicionalmente não são enterrados, mas colocados ao ar livre para serem devorados por aves de rapina, em estruturas conhecidas como Torres do silêncio (‘dokhma’).

Após a morte, um cão é trazido perante o cadáver, num ritual que se repete cinco vezes por dia. No aposento onde se encontra o cadáver arde uma pira de fogo ou velas, durante três dias. Durante esse tempo os parentes e amigos vivos evitam o consumo de carne. Os participantes no funeral vestem-se todos de branco, procurando-se evitar o contacto direto com o defunto. O cadáver (sem roupa) é então depositado numa torre do silêncio. Depois das aves terem consumido a carne, os ossos são deixados ao sol durante algum tempo para secarem. Por motivos vários (a diminuição da população de aves de rapina e a ilegalidade dessa tradição em alguns países) esta prática tem sido abandonada. Zoroastrianos residentes em países ocidentais, e até mesmo no Iran e na Índia, optam pela cremação.

Os zoroastrianos celebram seis festivais ao longo do ano - os chamados “Gahanbars” - cujas origens se encontram nas diferentes atividades agrícolas dos antigos povos do planalto iraniano e nas estações do ano.

“Noruz” é o Ano Novo Persa, celebrado no dia 21 de Março no calendário Fasli (os Parses celebram o Noruz em meados de Agosto). Neste dia os zoroastrianos colocam nas suas casas uma mesa com sete itens: um vaso com rebentos de lentilhas ou de trigo, um pudim, vinagre, maças, alho, pó de sumagre, frutos da árvore jujube. Outros elementos que enfeitam a mesa são moedas, o Avesta, um espelho, flores e uma imagem de Zaratustra. O Noruz é celebrado com o uso de roupas novas, com o consumo de pratos especiais, com a troca de presentes e a celebração de cerimônias religiosas. O fogo tem nesse dia um significado especial. Seis dias depois do Noruz os zoroastrianos festejam o nascimento de Zaratustra.


Nos Gathas, Zarathustra fala do "Grande Senhor":

"Deus é UM. Sagrado; Bom; Criador de todas as coisas, tanto materiais como espirituais, através de Seu Santo Espírito; Ele é a Vida e O que dá a vida. Ele é Bom porque é Produtivo e faz com que tudo se desenvolva. Sua 'Unicidade', entretanto, é uma unidade na diversidade, uma vez que Ele se manifesta sob vários Aspectos: o Espírito Santo, através de Quem Deus cria; o Bom Pensamento, através do qual inspira o profeta e santifica o homem; a Verdade, a Retidão ou Ordem Cósmica ('Asha'), pela qual mostra aos homens como se ajustarem ao Cosmos pela honradez; a Soberania, através da qual regula a Criação; Totalidade, que é a plenitude de Seu Ser; a Moralidade, pela qual derrota a Morte."



História


A religião pré-zoroastriana

A religião do Irã antes do surgimento do zoroastrismo apresentava semelhanças com a da Índia Védica, dado que as populações que habitavam estes espaços descendiam de um mesmo povo, os arianos (ou indo-iranianos). Era uma religião politeísta, na qual o sacrifício dos animais e o consumo de uma bebida chamada haoma (em sânscrito: soma) desempenhavam nela um importante papel.
Os seres divinos enquadravam-se em duas classes, ambas de características positivas: os ahuras (em sânscrito: asuras; "senhores") e os daivas (em sânscrito: deivas; "deuses").

Zoroastro

Zoroastro viveu na Ásia Central, num território que compreendia o que é hoje a parte oriental do Irã e a região ocidental do Afeganistão. Não existe um consenso em torno do período em que viveu; os académicos têm situado a sua vida entre 1750 e 1000 a.C.. Sobre a sua vida existem poucos dados precisos, sendo as lacunas preenchidas por lendas.
De acordo com os relatos tradicionais zoroastrianos, Zoroastro viveu no século VI a.C., pertecendo ao clã Spitama, sendo filho de Pourushaspa e de Dugdhova. Era o sacerdote do culto dedicado a um determinado ahura. Foi casado duas vezes e teve vários filhos. Faleceu aos setenta e sete anos assassinado por um sacerdote.
Aos trinta anos, enquanto participava num ritual de purificação num rio, Zaratustra viu um ser de luz que se apresentou como sendo Vohu Manah ("Bom Pensamento") e que o conduziu até à presença de Ahura Mazda (Deus) e de outros cinco seres luminosos, os Amesha Spentas, sendo este o primeiro de uma série de encontros com Ahura Mazda, que lhe revelou a sua mensagem.
As autoridades civis e religiosas opunham-se às doutrinas de Zoroastro. Após doze anos de pregação Zoroastro abandonou a sua região natal e fixou-se na corte do rei Vishtaspa na Báctria (região que se encontra no atual Afeganistão). Este rei e sua esposa, a rainha Hutosa, converteram-se à doutrina de Zoroastro e o zoroastrismo foi declarado como religião oficial do reino.
O principal documento que nos permite conhecer a vida e o pensamento religioso de Zoroastro são os Gathas, dezessete hinos compostos pelo próprio Zoroastro e que constituem a parte mais importante do Avesta ou livro sagrado do zoroastrismo. A linguagem dos Gathas assemelha-se à que é usada no Rig Veda, o que situaria Zoroastro entre 1500-1200 a.C. e não no século VI a.C. Vivia na Idade do Bronze, numa sociedade dominada por uma aristocracia guerreira.
Para alguns investigadores, muito mais do que o fundador de uma nova religião, Zoroastro foi antes um reformador das práticas religiosas indo-iranianas. Ele propôs uma mudança no panteão dominante que ia no sentido do monoteísmo e do dualismo. Na perspectiva de Zoroastro, os ahuras passam a ser vistos como seres que escolheram o bem e os daivas o mal. Na Índia, o percurso seria inverso, com os ahuras a representarem o mal e os daevas o bem.
Zoroastro elevaria Ahura Mazda ("Senhor Sábio") ao estatuto de divindade suprema, criadora do mundo e única digna de adoração.
Outro conceito religioso por si apresentado foi o dos Amesha Spentas ("Imortais Sagrados"), que podem ser descritos como emanações ou aspectos de Ahura Mazda. Nos Gathas os Amesha Spentas são apresentados de uma forma bastante abstracta; séculos depois eles serão transformados e elevados ao estatuto de divindades. Cada Amesha Spenta foi associado a um aspecto da criação divina.
Os Amesha Spentas são:
  • Vohu Manah ("Bom Pensamento"): os animais;
  • Asha Vahishta ("Verdade Perfeita"): o fogo;
  • Spenta Ameraiti - ("Devoção Benfeitora"): a terra;
  • Khashathra Vairya - ("Governo Desejável"): o céu e os metais;
  • Hauravatat ("Plenitude"): a água;
  • Ameretat ("Imortalidade"): as plantas.
Os Gathas revelam também um pensamento dualista, sobretudo no plano ético, entendido como uma livre escolha entre o bem e o mal. Posteriormente, o dualismo torna-se cosmológico, entendido como uma batalha no mundo entre forças benignas e forças maléficas.
Atualmente os zoroastrianos dividem-se entre o dualismo ético ou o dualismo cosmológico, existindo também outros que aceitam os dois conceitos. Alguns acreditam que Ahura Mazda tem um inimigo chamado Angra Mainyu (ou Ahriman), responsável pela doença, pelos desastres naturais, pela morte e por tudo quanto é negativo. Angra Mainyu não deve ser visto como um deus; ele é antes uma energia negativa que se opõe à energia positiva de Ahura Mazda, tentando destruir tudo o que de bom foi feito por ele (a energia positiva de Deus é chamada de Spenta Mainyu). No final Angra Mainyu será destruído e o bem triunfará. Outros zoroastrianos encaram o dualismo no plano interno de cada pessoa, como a escolha que cada um deve fazer entre o bem e o mal, entre uma mentalidade progressista e uma mentalidade retardatária.
Os zoroastrianos acreditam que Zoroastro é um profeta de Deus, mas este não é alvo de particular veneração. Eles acreditam que através dos seus ensinamentos os seres humanos podem aproximar-se de Deus e da ordem natural marcada pelo bem e justiça (asha).

A época aqueménida

Entre a morte de Zaratustra e a ascensão do Império Aqueménida no século VI a.C. pouco se sabe sobre o zoroastrismo, a não ser que se difundiu por todo o planalto iraniano.
Em 549 a.C. Ciro II derrota Astíages, rei dos Medos, e funda o Império Persa, que unia sob o mesmo ceptro os Medos e os Persas. A dinastia à qual pertencia, os Aqueménidas, adoptará o zoroastrismo como religião oficial do império, mas será tolerante em relação às religiões dos povos que nele vivem. Foi o rei Ciro II (dito O Grande) que libertou os Judeus do seu cativeiro e permitiu o regresso destes à Palestina. Provavelmente o primeiro rei persa que reconheceu oficialmente esta religião foi Dario I, como mostra uma placa de ouro na qual o rei se proclama devoto de Ahura Mazda.
Dario teve que combater um usurpador chamado Gautama, que se fazia passar por um filho de Ciro. Gautama ordenou a destruição de santuários pagãos que seriam restaurados por Dario. Por causa deste comportamento atribui-se por vezes a Gautama a adopção do zoroastrismo.
Os Medos possuíam uma casta ou tribo sacerdotal, conhecida como os Magi, que adoptaram a religião de Zaratustra, não sem introduzir alterações na mensagem original e incorporando antigas concepções religiosas. Os Magi seriam a classe sacerdotal dos três grandes impérios persas. Casavam dentro do seu grupo e expunham os corpos dos mortos às aves de rapina, duas práticas que viriam a ser adoptadas pelos zoroastrianos. Os sacerdotes recuperam os antigos sacrifícios e o uso do haoma. Os Amesha Spentas, inicialmente abstractos no pensamento de Zaratustra, foram personalizados e antigas divindades passaram a ser adoradas. Entre essas divindades (yazatas) estavam o Sol, a Lua, Tishtrya (deus da chuva), Vayu (o vento), Anahita (deusa das águas) e Mitra.
Foram também erigidos grandes templos e altares de fogo ao ar livre. Artaxerxes II (404-358 a.C.) chegou mesmo a ordenar a construção de templos em honra de Anahita nas principais cidades do império. Durante este período foi também criado o calendário zoroastriano e desenvolveu-se o conceito do Saoshyant, segundo o qual um descendente de Zarastustra, nascido de uma virgem, viria para salvar o mundo.

A época arsácida e sassânida

Com a conquista da Pérsia por Alexandre Magno, em 330 a.C., o zoroastrismo sofreu um duro golpe, tendo a classe sacerdotal sido dizimada e muitos templos destruídos. O incêndio da capital do império, Persépolis, provocaria o desaparecimento de textos da religião conservados na biblioteca da cidade.
Durante o governo dos Selêucidas o zoroastrismo foi respeitado e geraram-se sincretismos entre este e a religião grega (por exemplo, ocorreu uma associação de Zeus a Ahura Mazda). Mas um verdadeiro renascimento do zoroastrismo só começa durante a dinastia dos Partos Arsácidas no século III a.C.. Nesta fase foi compilado o Vendidad, uma parte do Avesta que recolhe textos relacionados com medicina e rituais de pureza.
No período da dinastia Sassânida (224 a.C. - 651 d.C.) o zoroastrismo foi completamente restaurado graças à intervenção de Kartir e de Tansar. O zoroastrismo tornou-se a religião mais comum entre as massas, sendo praticado numa vasta área que ia do Médio Oriente às portas da China. Nesta época assistiu-se à formação de uma verdadeira "Igreja" zoroastriana centrada na Pérsia, foram banidas da prática religiosa as imagens, criou-se o alfabeto avestano e novos textos passam a integrar o Avesta, tais como o Bundahishn e o Denkard. Ao contrário do período Aqueménida, este período ficou marcado pela intolerância em relação a outras religiões, tendo sido promovidas perseguições aos judeus e cristãos. O clero zoroastriano detinha um grande poder e assegurava que cada novo monarca fosse zoroastriano; pesados tributos recaíam sobre a população como forma de sustentar a forma de vida do clero.

A chegada do islão

Apesar da conversão da Pérsia ao Islão após a conquista dos árabes no século VII, o zoroastrismo sobreviveu em algumas comunidades persas, agrupadas nas cidades de Yazd e Kerman. Os muçulmanos consideraram os zoroastrianos como dhimmis, ou seja, praticantes do monoteísmo (à semelhança dos judeus e dos cristãos) e como tal foram sujeitos a pesados tributos cujo objectivo era estimular a conversão ao Islão.
No século X um grupo de zoroastrianos deixou a Pérsia e fixou-se na Índia, na região do Gujarate. Aqui estabeleceram um comunidade local que recebeu o nome de "Parsi" ("Persas" na língua gujarate) e que permanece naquele território até aos nossos dias. Esta comunidade zoroastriana foi influênciada pelos tradições locais e as suas particularidades levam a que se fale em Parsismo. Até 1477 os Parsis não mantiveram contacto com os zoroastrianos que permaneceram no Irão. Nesse ano restabeleceu-se o contacto sob a forma de troca de correspondência que durou até 1768.
No século XIX a conquista da Índia pelos britânicos levaria a um confronto entre os valores tradicionais dos parses e os valores religiosos e culturais do Ocidente. John Wilson, um missionário cristão da Escócia, atacou a religião dos Parses, alegando que o dualismo presente era contrário ao verdadeiro espírito monoteísta. Martin Haug, um filólogo alemão, que viveu e ensinou em Puna durante a década de 60 do século XIX, concluiu que apenas os Gathas eram as palavras originais do profeta Zaratustra. Estes acontecimentos propiciaram o início de um movimento de reforma religiosa, que divide a comunidade zoroastriana entre aqueles que pretendem um regresso a concepções que entendem como mais puras e próximas da mensagem inicial, rejeitando o excessivo ritualismo, e os tradicionalistas.

Doutrinas e crenças

Os masdeístas não representam seus deuses em esculturas e não têm templos.
Deixou traços nas principais religiões mundiais como o judaísmo, cristianismo e islamismo através das seguintes crenças:
  • Imortalidade da alma
  • Vinda de um Messias
  • Ressurreição dos mortos
  • Juízo final
A doutrina de Zaratustra foi espalhada oralmente e suas reformas não podem ser entendidas fora de seu contexto social. O indivíduo pode receber recompensas divinas se lutar contra o mal em seu cotidiano, como pode também ser punido após a morte caso escolha o lado do mal. Os mortos são considerados impuros, então não são enterrados, pois consideram a terra, o fogo e a água sagrados, eles os deixam em torres para serem devorados por aves de rapina.

Textos religiosos

O principal texto religioso do zoroastrismo é o Avesta. Julga-se que a actual forma do Avesta corresponde a apenas uma parte de Avesta original, que teria sido destruído em resultado da invasão de Alexandre o Grande.
O Avesta divide-se em várias secções, das quais a principal é o Yasna ("Sacríficios"). O Yasna inclui os Gathas, hinos que se julga terem sido compostos pelo próprio Zaratustra. O Vispered é essencialmente um complemento do Yasna. O Vendidad é a secção que contém as regras de pureza da religião, podendo ser comparado ao Levítico da Bíblia. Os Yashts são hinos dedicados às divindades.
Para além do Avesta existem os textos em palavi, escritos na sua maior parte no século IX.

Escatologia individual

A escatologia individual do zoroastrismo afirma que três dias após a morte a alma chega à Ponte Cinvat. A alma de cada pessoa percebe então a materialização dos seus atos (daena): uma alma que praticou boas ações vê uma bela virgem de quinze anos, enquanto que a alma de uma pessoa má vê uma megera.
Cada alma será julgada pelos deuses Mithra, Sraosha e Rashnu. As almas boas poderão atravessar a ponte, enquanto que as más serão lançadas para o inferno; as almas que praticaram uma quantidade idêntica de boas e más acções são enviadas para o Hamestagan, uma espécie de purgatório.
As almas elevam-se ao céu através de três etapas, as estrelas, a Lua e o Sol, que correspondem, respectivamente, aos bons pensamentos, boas palavras e boas acções. O destino final é o Anagra Raosha, o reino das luzes infinitas.

Sacerdócio

Existem três graus de sacerdócio no zoroastrismo contemporâneo. O sacerdócio tende a ser hereditário, embora não seja obrigatório que o filho de um sacerdote venha a seguir a profissão do pai.
Os sacerdotes de grau inferior recebem o nome de ervad, neste grau inicial é preciso conhecer de cor as escrituras do zoroastrismo, bem como a lei; desempenham apenas uma função de assistente nas cerimónias mais importantes da religião. Acima de si encontra-se o mobed e por sua vez acima deste o dastur, que é responsável pela administração de um ou vários templos, por vezes comparado ao bispo do cristianismo.

Locais de culto


Templo de fogo na cidade iraniana de Yazd
Os templos religiosos do zoroastrismo, onde se desenrolam as cerimónias e se celebram os festivais próprios da religião, são conhecidos como templos de fogo.
Estes edifícios possuem duas partes principais. A mais importante é a câmara onde se conserva o fogo sagrado, que arde numa pira metálica colocada sobre uma plataforma de pedra. Os sacerdotes zoroastrianos visitam o fogo cinco vezes por dia e procuram mantê-lo acesso, fazendo oferendas sândalo purificado. Recitam também orações perante o fogo com a boca tapada por um tecido, de modo a não contaminarem o fogo. Este respeito pelo fogo sagrado levou a que os zoroastrianos fossem chamados de "adoradores de fogo", o que constitui um erro, na medida em que o fogo não é adorado em si, mas como um símbolo da sabedoria e luz divina de Ahura Mazda. Os templos de fogo mais importantes do Irão e da Índia mantêm uma chama de fogo sagrado a arder perpetuamente.


O Navjote (ou Sedreh-Pushi como é conhecido entre os zoroastrianos do Irã) é uma cerimônia de iniciação obrigatória destinada às crianças zoroastrianas que deve acontecer entre os sete e os quinze anos de idade. É importante que a criança já conheça as principais orações da religião.
Antes da cerimónia começar a criança toma uma banho ritual de purificação (Naahn). Durante a cerimónia, conduzida pelo mobed e na qual estão presentes familiares e amigos, a criança recebe o sudreh (ou sedra, uma veste branca de algodão) e o kusti (um cordão feito de lã) que ata na sua cintura. A partir deste momento o zoroastriano deve usar sempre o sudreh e o kusti.
O casamento zoroastriano implica dois momentos distintos. No primeiro os noivos e os seus padrinhos assinam o contrato de casamento. Segue-se a cerimónia propriamente dita durante a qual as mulheres da família colocam sobre a cabeça dos noivos um lenço; simultaneamente dois cones de açúcar são esfregados um contra o outro. O lenço é então cosido, simbolizando a união do casal. As festas do casamento podem prolongar-se entre os três e os sete dias.

Práticas funerárias


Uma torre do silêncio em ruínas
Os zoroastrianos acreditam que o corpo humano é puro e não algo que deva ser rejeitado. Quando uma pessoa morre o seu espírito deixa o corpo num prazo de três dias e o seu cadáver é impuro. Uma vez que a natureza é uma criação divina marcada pela pureza não se deve polui-la com um cadáver.
Na prática esta crença implicou que os cadáveres dos zoroastrianos não fossem enterrados, mas colocados ao ar livre para serem devorados por aves de rapina, em estruturas conhecidas como Torres do silêncio (dokhma)
Após a morte um cão é trazido perante o cadáver, num ritual que se repete cinco vezes por dia. No quarto onde se encontra o cadáver arde uma pira de fogo ou velas durante três dias. Durante este tempo os vivos evitam o consumo de carne.
Os participantes no funeral vestem-se todos de branco, procurando-se evitar o contacto directo com o defunto. O cadáver (sem roupa) é então depositado numa torre do silêncio. Depois das aves terem consumido a carne, os ossos são deixados ao sol durante algum tempo para secarem.
Por motivos vários (relacionados por exemplo com a diminuição da população de aves de rapina ou com a ilegalidade desta tradição em alguns países) esta prática tem sido abandonada zoroastrianos residentes em países ocidentais e até mesmo no Irão e Índia, optando-se pela cremação.

Festas

As comunidades zoroastrianas actuais regem-se por três calendários diferentes:
  • o Fasli (usado pelos Zoroastrianos Iranianos e alguns Parses);
  • o Shahanshahi (usado pela maioria dos Parses); e
  • o Qadimi (este último o menos utilizado de todos).
O que significa que as festas religiosas podem ser celebradas em diferentes dias, nestes calendários cada mês e cada dia do mês recebe o nome de um Amesha Spenta ou de um Yazata. Os zoroastrianos celebram seis festivais ao longo do ano - os Gahambars - cujas origens se encontram nas diferentes actividades agrícolas dos antigos povos do planalto iraniano e nas estações do ano.
O Noruz é o Ano Novo Persa, celebrado no dia 21 de Março no calendário Fasli (os parses celebram o Noruz em meados de Agosto). Por volta deste dia os zoroastrianos colocam nas suas casas uma mesa com sete itens: um vaso com rebentos de lentilhas ou de trigo, um pudim, vinagre, maças, alho, pó de sumagre, frutos da árvore jujube; outros elementos que enfeitam a mesa são moedas, o Avesta, um espelho, flores e uma imagem de Zaratustra. O Noruz é celebrado com o uso de roupas novas, com o consumo de pratos especiais, com a troca de presentes e com a celebração de cerimónias religiosas. O fogo tem nele um significado especial. Seis dias depois do Noruz os zoroastrianos festejam o nascimento de Zaratustra.


Curiosidades

# No português e também em outras línguas o nome do profeta têm recebido diversas grafias. Assim, encontramos nos diversos compêndios formas diversas: “Zaratrusta, Zarathrustra, Zaratustra, Zarathrusta, Zarathushtra”...

# Uma hipótese diz que os Reis Magos eram sacerdotes zoroastristas.

# No zoroastrismo oram-se cinco vezes ao dia. A linguagem usada é o persa antigo e os templos são fechados, não sendo permitido o acesso a pessoas de outras religiões.

# A maneira como lidam com os mortos é bastante peculiar. Os parses colocam os corpos nas chamadas "Torres do Silêncio", ou "Dakhmas", onde são comidos por aves e animais selvagens. Esta seria a missão do abutre, de acordo com a tradição parse.

# A historia do Zoroastrismo começou a enfraquecer no século VII dC.

# A religião foi banida da Pérsia pelos muçulmanos no século IX.

# A perseguição aumentou sob a dinastia Qajar (1796-1925). Mas quando o Xá Reza Pahlevi destronou o último Qajar em 1925, houve uma trégua na perseguição, já que eles eram tidos como nobres da antigo Irã.

# Atualmente podemos ver a continuação do Zoroastrismo através dos parses da Índia que preservam alguns dos antigos rituais.

# Segundo Zaratustra, os ahuras são seres que escolheram o Bem e os daivas (ou devas) o Mal. - No hinduísmo ocorre o inverso, com os ahuras representando o Mal e os daivas o Bem.

# Segundo o pesquisador James Moulton, Zarathrusta não pertencia à classe sacerdotal. O sacerdócio no Irã daquela época provavelmente também existia como classe social, um cargo transferível por herança.

Fontes: Wikipédia.com, allreligo.blogspot.com

3 trocaram ideia:

Alexandre

Parabéns. Gosto muito de estudar religiões.

Pia Fraus

ah... os persas e os gregos... ô luta difícil essa! até

Anônimo

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