quinta-feira, março 31, 2011

De Jack Kerouac para Rimbaud

Graças ao comentário da leitora Gabi , que tem um blog maneríssimo o http://cafelivroserock.blogspot.com/, eis a poesia de Jack Kerouac para Rimbaud.


Nascido em 1854 praguejando em Charle-ville abrindo portanto caminho para
o abominável assassinato de Ardennes
Não se admira que seu pai tenha partido!
Então aos 8 anos você entrou pra escola
– Pequeno Grande Latinista, quem diria!
Em outubro de 1869
Rimbaud está escrevendo poesia
em greco-francês
Sem passagem
foge de trem pra Paris,
o miraculoso guarda-freios mexicano
o joga pra fora do trem
veloz, pro Céu, onde
ele não mais viaja porque o
Céu está em todo lugar
Apesar de tudo as bichas velhas
intervêm
Rimbaud sem mais Rimbaud
treina na verdejante Guarda
Nacional, orgulhoso, marchando
na poeira com seus heróis
desejando ardentemente ser violentado,
sonhando com a Garota definitiva.
Cidades são bombardeadas enquanto
ele olha & olha & chupa
seu lábio degenerado & olha
com olhos cinzentos para a
França Sitiada
André Gill foi o precursor
de André Gide
Longas caminhadas lendo poemas
entre os Montes de Feno de Genet
O Voyant nasceu,
o vidente enlouquecido faz seu
primeiro Manifesto
dá cores às vogais
& às consoantes curiosos cuidados,
fica sujeito à influência
de velhas Bichas Francesas
que o acusam de constipação
do cérebro e diarreia
da boca
Verlaine o convoca pra Paris
com menos aprumo do que quando
expulsou garotas pra
Abissínia
“Merde!”, grita Rimbaud
nos salões de Verlaine
Fofocam em Paris a mulher de Verlaine
está com ciúmes de um garoto
que não sossega o rabo em canto algum
Amor manda dinheiro de Bruxelas
Mamãe Rimbaud odeia
a impertinência de Madame
Verlaine – Por essa época já se suspeita que o
Degenerado Arthur seja
um poeta
Uivando no porão
Rimbaud escreve Uma estação no inferno,
Sua mãe estremece
Verlaine manda dinheiro & tiros
Pra Rimbaud
Rimbaud vai à polícia
& apresenta sua inocência
como a inocência pálida
de seu divino e feminino Jesus
Pobre Verlaine, 2 anos
no xadrez, mas poderia
ter levado uma faca no coração
Iluminatións! Stuttgart!
Estudo de línguas!
A pé Rimbaud viaja
& olha através dos passos
alpinos para a Itália, procurando
trevos da sorte, coelhos
Reinos Encantados & a sua
frente nada menos que o velho
Canalleto e a morte do sol
sobre velhos casarões venezianos
Rimbaud estuda línguas
ouve a respeito dos Alleghanes,
do Brooklyn, das últimas
Pragas Americanas
A irmã que mais amava morre
Viena! Ele olha pras confeitarias
& acaricia velhos cachorros! Assim espero!
Esse gato muito louco se alista
no Exército Holandês
& viaja pra Java de navio
comandando moscas
à meia-noite
na proa, sozinho,
ninguém ouve seu Comando
a não ser o brilho dos peixes
no mar – Agosto não é
época de se ficar em Java –
Visando o Egito, ele é mais uma vez
preso na Itália por isso volta
pra casa pra poltrona profunda
mas em seguida vai
de novo pra Chipre pra
dirigir um bando de tra-
balhadores numa pedreira –
com o que se parece esse Último
Rimbaud? – Poeira de pedras
& costas negras & picaretas &
gente tossindo, o sonho surge
na mente africana do francês, –
Inválidos dos Trópicos são sempre
amados – O Mar Vermelho
em junho, os tremores na costa
da Arábia – Harar,
Harar, o mágico entreposto
de comércio – Aden, Aden,
Sul de Bedouin –
Ogaden, Ogaden, jamais
conhecido – (Nesse tempo
Verlaine está sentado em frente a cognacs
em Paris imaginando
com o que o Arthur se parece agora &
como estão desoladas suas sobrancelhas
porque eles acreditavam
na beleza juvenil das sobrancelhas –
Quem se interessa? Que espécie de
Franceses são esses? Rimbaud, bata em
minha cabeça com aquela pedra!
Um Rimbaud sério compõe
artigos elegantes & eruditos
para Sociedades Geográficas
Nacionais & depois das guerras
comanda Harari a Garota
(Ha Ha!) de volta
a Abissínia, & ela
era jovem, tinha olhos
negros, lábios grossos, cabelo
encaracolado, & seios de
um marrom polido com
bicos de bronze & pequenas
pulseiras em seus braços &
juntava suas mãos sobre o ventre &
tinha os ombros tão largos quanto
os de Arthur & orelhas pequenas
– Uma garota de alguma
casta, em Bronzeville –
Rimbaud também conheceu
Polinésias esguias
com longos cabelos revolvidos
& seios pequenos & pés grandes
Finalmente ele começa
a contrabandear armas
em Tajoura
viajando em caravanas, louco,
com um cinturão de ouro
amarrado na cintura –
Ludibriado pelo Rei Menelik!
O Xá de Shoa!
Os ruídos desses nomes
na mente ruidosa
de um francês!
Cairo para o verão,
vento amargo de limão
& beijos no parque empoeirado
onde garotas sentam de
pernas cruzadas
– ao entardecer pensando
em nada –
Harar! Harar!
Levado de maca para Zeyla
lamentando o dia
em que nasceu – o barco
retorna ao castelo de giz
Marseille mais triste que
o tempo, que o sonho,
mais triste que a água
– Carcinoma, Rimbaud
é devorado pela doença
de viver demais
Amputaram sua linda perna
Ele morre nos braços
de Isabelle sua irmã
& antes de subir ao Céu
manda seus francos
para Djami, Djami
o garoto Harari seu servo fiel
8 anos no Inferno
Africano do Francês
& tudo resulta
em nada, como
Dostoiévski, Beethoven
ou Da Vinci
Portanto, poetas, descansem um pouco
& calem-se:
Nada jamais surgiu
do nada.


1960

Jack Kerouac

1 trocaram ideia:

Gabi

Nossa, que demais! Obrigada mesmo, fiquei muito feliz por ter lido meu comentário e ainda fazer um Post desses.

Beijos.

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